A Devassa da Devassa #1

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Autor: Kenneth Maxwell
Editora: Paz e Terra
Ano: 1978
Páginas: 317

Entre os três níveis de apoio ao levante, ativistas, ideólogos e interesses financeiros, os últimos eram os que, de muitos modos, exerciam influência maior.

 

Em “A devassa da devassa”, Kenneth Maxwell faz um trabalho primoroso para mostrar as origens e os desdobramentos da revolta mineira. Traça um panorama da política colonial entre os anos de 1750 e 1789 e de como ela foi prejudicial para os interesses da elite local. Apresenta também quais eram os motivos dos principais participantes, oferecendo uma nova perspectiva ao tema.

Um livro esplêndido no quesito “desconstruir o que ensinaram na escola”. Na obra, a Inconfidência Mineira e principalmente a participação de Tiradentes, são apresentadas por um outro ângulo. O ângulo das relações de poder, dos interesses dos políticos e dos magnatas da Capitania de Minas Gerais. O autor, ao longo do livro, vai apresentando fatos e argumentos e, com isso, tecendo uma teia de interesses envolvidos que a Inconfidência Mineira pode ser vista como uma consequência natural aos acontecimentos.
O descaminho, ou seja, a rede de contrabando que envolvia não só os metais preciosos, mas também escravos e gêneros alimentícios, além dos interesses pessoais, criou em Minas Gerais três grupos distintos que, diante das pressões da Metrópole, buscaram a Conjuração para assegurar suas vantagens: o grupo dos ideólogos, que tinham a missão de elaborar as leis e a constituição da nova república, como o ex-ouvidor Tomás Antonio Gonzaga; os ativistas, àqueles a quem pesava a responsabilidade de iniciar a conjuração, como o Alferes Joaquim José da Silva Xavier; e os conjurados com interesses financeiros, contratantes ou pessoas envolvidas com o negócio dos contratos, como Joaquim Silvério dos Reis.
Ao fim e ao cabo, Maxwell mostra que a Inconfidência Mineira não foi um movimento que buscava a independência da Capitania de Minas Gerais por motivos patrióticos, mas sim por motivações pessoais, ligadas à interesses políticos e econômicos já estabelecidos na Capitania desde muito tempo. Tiradentes foi o único que, efetivamente, assumiu a participação no movimento, e foi o único punido com a forca. Muito mais para servir de exemplo do que pela sua importância na Conjuração.

Um livro muito interessante tanto para quem quer conhecer, quanto para quem quer se aprofundar sobre a Inconfidência Mineira. Possui uma linguagem de fácil entendimento, mas ao mesmo tempo é escrito de forma muito criteriosa, além de possuir uma vasta bibliografia que inclui mapas e anexos estatísticos.

Vale a leitura?
Sim, muito. Principalmente pelo conhecimento que ele proporciona.

A imagem destacada é o quadro pintado por Leopoldino Faria conhecido como Leitura da sentença dos inconfidentes.

Até mais!

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