Admirável Mundo Novo #14

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Autor: Aldous Huxley
Editora: Globo
Ano: 2014
Páginas: 306

“E esse é o segredo da felicidade e da virtude: amarmos o que somos obrigados a fazer. Tal é a finalidade de todo condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social de que não podem escapar”

 

Livro esplêndido! Huxley apresenta Londres em um futuro distópico onde a sociedade é dividida em castas. Tudo é construído para dar certo, os prédios, os helicópteros, os jogos, a música, o cinema … e as pessoas. Sim! As pessoas são construídas, moldadas para que suas vidas tenham obrigações e deveres pré estabelecidos com o objetivo de atingir a estabilidade e a coesão social. Como não ficar boquiaberto com a descrição do Processo Bokanovski, onde mães e pais são substituídos por tubos de ensaio e bocais e através do qual se é destinado a ser um Alfa-Mais ou um Ípsilon-Menos pela quantidade de pseudossangue colocado durante a fase embrionária dentro de um tubo. :O

Através da hipnopedia as “verdades” da sociedade são repetidas centenas, milhares de vezes desde a mais tenra idade. Assim, quando adultos, os cidadãos se encaixam perfeitamente para os fins que foram criados sem resistências, colaborando para a felicidade da sociedade.
Deus foi substituído pelo Estado-Mundial e a religião pela Estabilidade Social, todas as drogas do mundo foram substituídas pelo Soma, droga sintética capaz de proporcionar uma fuga da realidade apenas por diversão, não causando danos ou dependência.
Após descrever todos os meandros dessa sociedade, de forma espetacular, a história centra-se em Lenina Crowne e Bernard Marx. Ela, como todos, passiva dentro da sociedade; pneumática, ou seja, dentro dos padrões físicos; vivendo a vida predestinada para ela dentro do bocal de forma completa (ou vazia?). Bernard representa a exceção: mesmo sendo um Alfa-Mais tem a pele de um Beta e o corpo de um Gama (talvez por uma alteração de pseudossangue ministrado em seu bocal).
A história dos dois muda quando, durante um passeio à Reserva Selvagem, onde incivilizados índios vivem, descobrem que uma Alfa-Menos se perdeu há muito tempo atrás e acabou ficando na reserva dando a luz a um menino de nome John. Agora homem, John retorna com Lenina e Bernard à Londres. O horror de John com a civilização é espantoso. A felicidade e a coesão social não passam de um invólucro onde vidas vazias são geridas. Mesmo apaixonado por Lenina ele decide fugir e passa a viver só em um antigo farol. Mas como a sociedade não o deixa só, John encontra saída apenas na morte.
Ao fim e ao cabo o livro passa a mensagem de que a felicidade produzida e imposta não passa de um simulacro para esconder as doenças da sociedade que a produziu.

Enfim, um livro que tem muito a ensinar, e que tem muito a surpreender o leitor!

Vale a leitura?
Muito, um dos melhores livros do blog!

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