Brasil: Nunca Mais #17

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Autores: Vários
Editora: Vozes
Ano: 1985
Páginas: 312

“A tortura foi indiscriminadamente aplicada no Brasil, indiferente a idade, sexo ou situação moral, física e psicológica em que se encontravam as pessoas suspeitas de atividades subversivas. Não se tratava apenas de produzir, no corpo da vítima, uma dor que a fizesse entrar em conflito com o próprio espírito e pronunciar o discurso que, ao favorecer o desempenho do sistema repressivo, significasse sua sentença condenatória. Justificada pela urgência de se obter informações, a tortura visava imprimir à vítima a destruição moral pela ruptura dos limites emocionais que se assentam sobre relações efetivas de parentesco. Assim, crianças foram sacrificadas diante dos pais, mulheres grávidas tiveram seus filhos abortados, esposas sofreram para incriminar seus maridos.”

O Projeto Brasil: Nunca Mais desenvolvido por Dom Paulo Evaristo Arns, Rabino Henry Sobel, Pastor presbiteriano Jaime Wright e equipe, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar. Com o objetivo de sistematizar informações de mais de 1 milhão de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar revelou a extensão da repressão política no Brasil cobrindo um período que vai de 1961 a 1979.
O livro divide-se em partes que pretendem ilustrar todo o caminho percorrido não só pelas instituições repressivas, como também pelas organizações que sofreram com a Ditadura Militar. Além de traçar um panorama sombrio das torturas e dos procedimentos de terror colocados em prática. Dessa forma, a 1ª parte revela todos os instrumentos de tortura utilizados, além de depoimentos de torturas contra crianças, grávidas e mulheres.
A fatia histórica da obra inicia na 2ª parte com a origem do regime militar e de seu sistema repressivo. A 3ª parte traça um perfil dos atingidos: organizações de esquerda, setores sociais, partidos políticos, união de estudantes, imprensa e igreja.
As duas seções seguintes tratam das subversões do direito, assim a 4ª parte da obra trata de como eram formados os processos judiciais e das competências da justiça militar. A 5ª parte esclarece as marcas dos inquéritos: depoimentos forjados, confissões falsas, intimidações e torturas.
A última parte do livro traz a verdade nua e crua ao apresentar os limites extremos das torturas, e dos locais onde execuções sumárias eram cometidas.
Enfim, um livro necessário a todo aquele que ainda tenha dúvida sobre a verdade acerca do governo de exceção que tomou lugar no Brasil. Uma obra baseada em inquéritos militares que mostra que governos autoritários com o poder de justiça em suas mãos sempre deixarão marcas em seus envolvidos.

Vale a leitura?
Leitura histórica obrigatória!

Indico o filme O ano em que meus pais saíram de férias, de 2006.

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Página do Projeto Brasil: Nunca Mais

Brasil: Nunca Mais

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