Divina Comédia #23

Autor: Dante Alighieri
Editora: Ateliê Editorial
Ano: 2010
Páginas: 558

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“Por mim se vai à terra dolorida,
Por mim se vai onde é eterna a dor,
Por mim se vai à gente vil, perdida.
Moveu justiça a meu divino autor;
Criaram-me poderes divinais:
O supremo saber, o prisco amor.
Hão houve antes de mim cousas mortais,
Mas só eternas e eu eterna duro.
Deixai toda esperança, ó vós que entrais.”

 

Um livro ímpar! A Divina Comédia é como um sonho delirante de uma mente irriquieta.
Aos 35 anos Dante Alighieri se vê dentro de uma selva intensa e escura buscando uma saída. Três bestas estão em seu caminho, e quando tudo parece perdido, surge o poeta Virgílio para guiar-lhe por um caminho, que irá salvá-lo, que começa no Inferno, passa pelo Purgatório e termina no Paraíso.

O Inferno é a primeira parada: divide-se em círculos e fossas e é o lugar dos suplícios eternos daqueles que morreram em pecado. Dante apresenta cada pecado e seu castigo eterno correspondente. Imaginar esse Inferno é surreal, diante de tantas peculiaridades.
Imagine que os bajuladores estão atolados em um lago com fezes humanas; que os hipócritas sofrem por carregar um manto pesado de chumbo; que os gulosos sofrem com chuvas torrenciais de água, neve e granizo; que os adivinhos caminham com suas cabeças viradas para trás. Mas não somente eles, o Inferno tem um círculo ou fossa destinada para cada pecado: à luxuria; à avareza; à cólera; à preguiça; à heresia; à violência; e finalmente, próximos à Lúcifer, que habita o círculo mais profundo, estão os traidores.
Não é apenas a descrição dos lugares que chama a atenção do leitor, é a leitura que Dante faz destes lugares e de seus habitantes. Dante faz uma crítica à sua sociedade, pois vários de seus contemporâneos estão espalhados pelo Inferno. E várias “celebridades” também: Papa Nicolau VII e Clemente V e Maomé!
Dante e Virgílio, então sobem nas costas de Lúcifer e chegam ao Purgatório.

O Purgatório é o local onde algumas almas precisam ficar até serem recebidas no paraíso. É um lugar de martírio também, mas onde o sofrimento é passageiro, pois as almas que aí estão serão logo enviadas ao paraíso. O Purgatório também é dividido em círculos, cada um com um tipo de pecado e de punição.
E se no Inferno Dante desce pelos círculos em um buraco, no Purgatório ele sobe pelos círculos como em uma montanha. Assim, estão descritos alguns martírios dignos de atenção: os invejosos têm seus olhos costurados com arame; os gulosos estão próximos a macieiras e rios cristalinos sem poder comer e beber nada. Há também sacrifícios para os soberbos; os coléricos; os preguiçosos; os avarentos; os luxuriosos. O ambiente é mais leve, mas ainda sim com suplícios. Algumas almas falam com Dante sobre a podridão da sociedade de Florença, e é de grande reflexão o sermão de Virgílio sobre as virtudes e vícios do amor.

Levado por um anjo de nome Beatriz, Dante e Virgílio chegam ao Paraíso.
O Paraíso segue a teoria astronômica de Ptolomeu, onde a Terra está no centro do universo e todo o resto gira ao seu redor. Dante passa, assim, a percorrer os paraísos de noves esferas celestiais, correspondentes aos nove estágios do sistema geocêntrico. Da mesma forma que no Inferno e no Purgatório, cada estágio tem um significado. E igualmente cada esfera celestial está destinada às almas que ainda precisam de purificação. Assim, Dante encontra-se com os espíritos ativos e benéficos; com as almas dos amantes; com os filósofos e teólogos; com aqueles que morreram em nome da religião; com os príncipes sábios; com os espíritos contemplativos e triunfantes. Algumas “celebridades” também aparecem: o Imperador Justiniano; Carlos Martel; São Tomás de Aquino.
E antes de poder voltar à Florença, Dante contempla a última esfera do Paraíso: onde os anjos giram em círculos concêntricos ao redor de um ponto luminoso que é Deus. E é neste ponto que ele conhece as histórias da criação dos anjos e dos céus, da rebelião de Lúcifer e da frivolidade da Igreja terrena. Dante é levado a um lugar de contemplação celestial e consegue vislumbrar a Santíssima Trindade e o mistério de Jesus Cristo.

Uma viagem fantástica, repleta de misticismo e crítica.
A leitura da obra é difícil, tanto pela colocação das palavras quanto pelo seu entendimento. Um livro que precisa de atenção do início ao fim, mas que vale cada página devido as reflexões que ele proporciona.
Um clássico!

Um filme interessante sobre o tema é Seven – OS Sete Crimes Capitais, de 1995 com Brad Pitt e Morgan Freeman. Nele o assassino utiliza a Divina Comédia para praticar seus crimes.

Na imagem destacada o quadro Dante e Virgílio no Inferno,  de 1850, do pintor William-Adolphe Bouguereau.

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