O Estrangeiro #25

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Autor: Albert Camus
Editora: Coletivo Sabotagem
Ano: 200
Páginas: 85
Formato: PDF

“Gostaria de lhe poder explicar cordialmente, quase com afeição, que nunca me arrependera verdadeiramente de nada. Estava sempre dominado pelo que ia acontecer, por hoje ou por amanhã.”

 

Olá, tudo bem?
Nunca pensei em ler Albert Camus, essa é a verdade. Sempre pensei em um livro chato, onde ao final você não entende nada, e tem a certeza que perdeu tempo. Mas que grata surpresa! Despretensiosamente baixei “O Estrangeiro”, e pensei: vou dar uma olhadinha…

Pois bem, é um livro pequeno (apenas 85 páginas), mas de uma grandiosidade reflexiva surpreendente. Sou daqueles que acredita que o mesmo livro pode ter vários significados dependendo do estado de espírito do leitor. E esse em especial mexeu comigo profundamente.
O livro é a narrativa em primeira pessoa de Mersault, um francês colonial (a história se passa na Argélia ainda como colônia francesa), que vive uma crise de existência.

Para não entregar a graça da história (e deixá-los com vontade de ler), Mersault perde a mãe, se apaixona por Maria, vive uma amizade por Raimundo, há um assassinato, uma prisão, um julgamento e uma execução!
Mas o desenrolar de tudo isso é o que torna a obra gostosa de ler. Porém o que mais me chamou atenção foi a consciência de Mersault. Ele tem consciência de sua existência e vive sua vida de forma melancólica. Fala pouco, pois quando não há nada para dizer ele se cala; apaixona-se intensamente por Maria, mas quando esta pergunta se ele a ama, a resposta é “Não”, mesmo depois de concordarem com o casamento. É reservado, e seus pensamentos refletem uma alma livre de toda e qualquer convenção social. A realidade para Mersault é resultado das sensações, tudo o que ele vive e sente tem significado, mesmo a morte de sua mãe no asilo, pela qual não derramou nenhuma lágrima.

Acho que depois da dupla paternidade fiquei um pouco melancólico, desencantado. Não com a minha vida, mas com o mundo real. Penso no que é a realidade: é o que vivemos, ou o que está além disso? Qual é o mundo real que as minhas filhas viverão? Por que devemos tanto aos outros: à família e à sociedade, quando no fundo devemos prestar contas apenas à nossa consciência?
Enfim, essas e outras reflexões vieram à tona após a leitura desse livro, e é por isso que o indico. Vale muito a pena.

Até a próxima.
P.S. Como é o primeiro livro digital que posto aqui, faço uma menção honrosa ao Guloseimas Nerds que há pouco tempo publicou um ótimo texto sobre os livros digitais, e que eu recomendo muito.

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