Rei Lear #3

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Autor: William Shakespeare
Páginas: 194
Formato: Mobi

“Devemos esperar de sua velhice não apenas os defeitos há muito tempo adquiridos e entranhados mas também a impertinência e os caprichos que chegam com os anos de senilidade e doença.”

Olá pessoal, tudo bem?
Nesse mês de Agosto comemora-se o Dia dos Pais, e fiquei pensando em um livro que pudesse retratar as relações conflituosas que existem entre pais e filhos. Não poderia ter escolhido outro melhor: Rei Lear.
Confesso que após a paternidade minha vida mudou consideravelmente, tanto em atitudes quanto em sentimentos. E a leitura desse livro teve um outro significado para mim.
O que nos espera na senilidade? Sabedoria ou indiferença?

Shakespeare apresenta Lear, um Rei sábio que percebendo a velhice decide dividir seu reino entre suas três filhas: Goneril, Regana e Cordélia. Em troca queria apenas uma manifestação do amor das filhas pelo pai. Cordélia, a mais nova e também a mais verdadeira, diz o que sente, diz a verdade: quando se casar, seu amor será dividido entre o esposo e o pai. Lear decide então expulsar Cordélia do reino e dividi-lo entre as suas outras filhas. Mas Goneril e Regana não amavam seu pai, apenas seu poder e suas terras, e Lear descobre isso tarde demais para poder se arrepender.
Os diálogos da peça são intensos, os cenários são tão variados quanto os sentimentos que a obra suscita. Shakespeare apresenta o Bobo da corte de Lear, o mais inteligente e esperto dos personagens. Enxerga tudo pela lente da transparência, e conhece a podridão das pessoas julgando suas atitudes. É fiel ao Rei, mesmo quando este se encontra abandonado por todos. E dá a este os melhores conselhos.

A verdade é um cachorro que tem de ficar preso no canil. E deve ser posto fora de casa a chicotadas quando madame Cadela quer ficar calmamente fedendo junto ao fogo.

Ao fim, louco e abandonado, é Cordélia quem lhe estende a mão.
Rei Lear é uma tragédia, e portanto mortes e mutilações são recorrentes (neste caso muitas mortes!)
É muito gostoso ler uma obra dessas, que faz o leitor imaginar a ação acontecendo. Rei Lear é uma peça de teatro, mas é enredo de um filme, no mínimo, épico.

Eis a sublime estupidez do mundo; quando nossa fortuna está abalada culpamos o sol, a lua e as estrelas pelos nossos desastres; como se fossemos canalhas por necessidade, idiotas por influência celeste; escroques, ladrões e traidores por comando do zodíaco; bêbados mentirosos e adúlteros por forçada obediência a determinações dos planetas.

Como seremos quando velhos? Ficaremos velhos antes de ficarmos sábios? (essa frase é do Bobo). A sabedoria é um ganho, e a velhice inevitável. Antigamente filhos eram a segurança na velhice, e hoje? Uma coisa é certa: só damos real valor aos pais quando somos pais. E passamos a ter consciência do quanto erramos quando jovens.
Tudo a seu tempo, inclusive o tempo de arrepender-se, inclusive o tempo de desculpar-se.

Recomendo muito, é uma obra magnífica.

Entre tantas adaptações, recomendo Rei Lear, de 2008.

A imagem destacada é o quadro de Edward Matthew Ward, Rei Lear e Cordélia

Até mais!

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