The Dark Side of the Moon #29

resized_P_20160906_093353Autor: John Harris
Editora : Zahar
Páginas: 257
Formato: epub

“Com tantas cópias vendidas era virtualmente impossível que se passe um minuto sem que Dark Side toque em algum lugar do planeta”

Alguns fatos são marcantes em nossas vidas. Amigos, amores, lugares, comidas, bebidas, e também músicas. Eu lembro até hoje do dia em que ouvi Pink Floyd pela primeira vez: meu irmão comprou um cd esquisito, com a capa preta e o desenho de um triângulo no centro. De início não dei muita bola, porque na época o boom do momento era o funk de Claudinho e Buchecha e companhia. Eis que um certo dia resolvi colocar esse disco estranho para tocar e pulei para a música 3: Time. Quando ouvi os relógios despertando pensei: “que porra é essa”, e confesso que o som me deixou arrepiado. Desde então nunca mais consegui parar de ouvir e cantar Pink Floyd.

Dessa forma, além de gostar muito de Pink Floyd, esse foi o primeiro disco da banda que ouvi, e é por isso que sempre procurei materiais sobre a banda e especificamente esse disco. Até que um belo dia conheci esse livro e prontamente pus-me a lê-lo. Se toda grande banda de rock possui grandes histórias, seus discos igualmente estão cheios de lendas que os cercam. Com o Pink Floyd não é diferente e esse livro conta um pouco de como 4 garotos ingleses mudaram a música (você com certeza já ouviu isso sobre outra banda, não?). Vamos ao livro.

Dark Side of the Moon (DSM) vendeu aproximadamente 30 milhões de cópias em todo o mundo e ficou 724 semanas no topo dos álbuns mais vendidos nos EUA. Esse livro conta a história de uma banda que tentava se livrar do estigma do seu antigo vocalista e principal compositor, que enlouqueceu pelo uso excessivo de drogas, e que conseguiu transformar a música da época.
O movimento underground inglês da década de 1960 se tornou a voz de uma geração que colocou nova enfase na libertação do individuo, que seria emancipado pela adoção de uma doutrina que preconizava o prazer como bem supremo, a finalidade de uma vida moral. O Pink Floyd incorporava esse estilo principalmente através de seu vocalista Syd Barrett, e suas músicas diziam bem esse movimento (ouvir The Piper at the Gates of Down é viajar no ácido). Mas, afundado em drogas e louco (ele foi diagnosticado com esquizofrenia) Barrett logo foi deixado de lado pelos outros integrante, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason (o guitarrista David Gilmour entrou em seu lugar). E já a partir do disco Atom Heart Mother de 1970 já era possível identificar a mudança na atitude da banda que se refletia em canções com letras mais elaboradas.

O livro pincela este disco e os dois sequentes (Meddle de 1971 e Obscured By Clouds de 1972) para então contar como foi o desenvolvimento de DSM. Algumas questões centrais são abordadas mais detidamente, principalmente as relações pessoais entre os integrantes, e entre estes e os assistente e engenheiros do estúdio Abbey Road, num clima nada amistoso. O autor conta ainda que era muito comum o grupo, entre uma sessão e outra de organização de DSM, fazer shows pelo mundo e depois voltar e dar prosseguimento ao trabalho. O lado musical de confecção do disco também é detalhado, considerando principalmente o novo uso de sintetizadores e de sons quadrafônicos, além de fitas e loops que eram utilizados à exaustão. O autor dá ainda uma ideia de como eram os shows do Pink Floyd à época, com torres de luz vermelha, azul e verde, montes de auto falantes quadrafônicos movendo-se de um lado para o outro e que levavam o espectador a uma nova experiência.

“Parece o inferno”

O que está envolvido em DSM é que é um disco de ruptura: ele rompe com os áureos dias do psicodelismo e coloca o Pink Floyd como um grupo de Rock moderno. A consequência do sucesso está nas palavras de Waters: “quando se chega ao topo, o que sobra é descer, e Dark Side of the Moon foi o ápice do Pink Floyd”; corroborado por Gilmour que afirmou que a fama pós-Dark Side não foi bem assimilada pelos integrantes da banda, e que mesmo com ótimos discos na sequência, este foi definitivamente o começo do fim do Pink Floyd.

Pessoal, é sério: Dark Side of the Moon é foda! Se você ainda não ouviu, ouça. Vale cada segundo.
Talvez em um futuro distante próximo eu crie coragem e faça uma série especial sobre a discografia do Pink Floyd.
O livro é muito bom, mesmo que você não goste de Pink Floyd.

Abraços e até a próxima.

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