Animals – Pink Floyd #1

Fala pessoal, tudo bem?
Começo hoje um novo projeto aqui no blog. Da mesma forma que adoro livros, adoro também música. E da mesma forma que escrevo sobre as humildes opiniões que tenho sobre livros, irei tentar dar meus pitacos também sobre as músicas que gosto. Mas já vou avisando que não sou especialista, e que minha intenção é trazer um pouco das minhas percepções auditivas para vocês. Acredito que da mesma forma que um livro tem muito a nos dizer, uma música também é lugar de muitas reflexões. E como já falei aqui que adoro Pink Floyd irei começar com eles, é óbvio.

animals

Animals

1 – Pigs on the Wing (part I) – (Waters) – 1:25
2 – Dogs – (Waters/Gilmour) – 17:03
3 – Pigs (Three Different Ones) – (Waters) – 11:25
4 – Sheep – (Waters) – 10:25
5 – Pigs on the Wing (part II) – (Waters) – 1:23

Disco lançado em janeiro de 1977 é o 10º álbum de estúdio da banda. Não é um disco considerado comercial, pois vamos combinar que duas músicas com menos de 2 minutos cada e as outras três músicas com mais de 10 minutos, assustam os desavisados. Seguindo o padrão de uma música mais voltada para o progressivo, e abandonando o psicodélico, Animals mantem os discos da década de 1970 do Pink Floyd entre os melhores de sua carreira. O álbum teve aproximadamente 12 milhões de cópias vendidas.
Composto quase que totalmente por Roger Waters, Animals é baseado na obra de George Orwell – A Revolução dos bichos, que resenhei aqui. Não à toa o disco é dividido em três animais-personagens da obra: Porcos, Cães e Ovelhas, que representam, respectivamente, o governo, os órgãos de repressão e o povo. Mas não se trata apenas de músicas para um livro, Waters profundamente imerso em seu tempo faz uma crítica à sociedade em geral, e principalmente ao capitalismo. Porcos governando ovelhas com a ajuda de cães. Bem atual não acham?

Pigs on the Wing (part I) e (part II) destoam um pouco das outras músicas pois são belas declarações de amor:

If you didn’t care what happened to me,/and I didn’t care for you
(Se você não me importasse com o que acontessesse comigo / e eu não me importasse com você)
so I don’t feel alone / or the weight of the stone / now that I’ve found somewhere safe / to bury my bone
(então eu não me sentiria sozinho / ou o peso da pedra / agora que eu encontrei um lugar seguro / para enterrar meus ossos)

Mas também podem ser vistas como introdução e conclusão de uma obra maior, mostrando que existe amor na vida das pessoas, e o quão significativo é nos importarmos com o outro. Sua melodia de voz e violão é muito boa de ouvir.

Pigs (Three Different Ones) já tem uma pegada diferente, sua letra faz uma crítica aos capitalistas, personificados em porcos. Waters deixa claro que a existência dessa classe corrói o que há de mais humano nas pessoas.

Big man, pig man, ha ha charade you are. / You well heeled big wheel, ha ha charade you are.
(Homem grande, homem porco, ha ha você é uma piada. / Você da grande roda dos endinheirados, ha ha você é uma piada)
With your head down in the pig bin, / Saying “Keep on digging.” / Pig stain on your fat chin.
(Com sua cabeça no chiqueiro, / Dizendo “continue cavando.” / Mancha de porco no seu queixo gordo.)

A letra é ácida, a música idem. Waters cita “Whitehouse” na música, dizendo que ela é uma piada, numa clara crítica à Mary Whitehouse, uma ativista que disse que o Pink Floyd era um mau exemplo para a Inglaterra, chegando a usar uma camiseta com a inscrição “I hate Pink Floyd”. Mexeu com as pessoas erradas, hahahaha.

Clássica

Dogs

Dogs sem dúvida é a melhor música do disco. Mostra Gilmour arrebentando em um dos seus melhores solos de guitarra. A letra traz exatamente a repressão à serviço do governo, seja ela através da polícia, seja através de agências especiais e secretas. Apresenta uma das máximas desses serviços: “Todo mundo é um assassino”, desde o homem que falou até aquele que levou um tapinha nas costas. Mostra ainda que o repressor ficará com esse peso até o final de sua vida, e que será difícil se desfazer dele no final. Um pouco de filosofia, não é? Como fica a mente daquele que repreendeu e perseguiu as pessoas a sua vida inteira?

You gotta be able to pick out the easy meat with your eyes closed
(Você precisa ser capaz de escolher a carne fácil com seus olhos fechados)
And then moving in silently, down wind and out of sight / You gotta strike when the moment is right without thinking
(E se mover em silêncio, contra o vento e escondido / Você tem que atacar no momento certo sem pensar)

Vale a pena ouvir

Sheep

Nessa música bem Rock’n Roll, Waters destila seu veneno contra os principais responsáveis pelas condições degradantes de submissão do ser humano, o povo, que como um rebanho de ovelhas obedece cegamente tudo o que ouve e vê. A crítica vai mais além, ele culpa não apenas os porcos e os cães, mas também a Igreja. E nesse ponto a música é de um tom de deboche peculiar: o famoso salmo 23 é reescrito com, digamos, algumas frases diferentes:

The Lord is my shepherd, I shall not want.
(O Senhor é meu pastor, e nada me faltará)
With bright knives, He releaseth my soul. / He maketh me to hang on hooks in high places. / He converteth me to lamb cutlets.
(Com facas brilhantes, ele liberta minha alma. / Ele me pendura em ganchos altos. / Ele me converte em costeletas de cordeiro.)

O povo, a massa burra e inerte, para Waters, é a única culpada pela sua situação. Lembro de uma fábula tupiniquim que diz que o poder de mudança está nas mãos do povo, na hora de votar. Mas é apenas uma fábula, assim como Revolução dos Bichos, assim como Animals.

Enfim, um disco que você pode ouvir do início ao fim sem problema nenhum. Seja fã ou não.

Cabe dizer aqui, novamente, que essas são as minhas opiniões, essas são as reflexões que faço ao ouvir esse excelente disco dessa excelente banda.
Posso estar redondamente enganado em tudo o que disse, mas mesmo assim está valendo.
Deixe seu comentário se você já ouviu alguma dessas músicas e diga o que sentiu.

Espero que tenham gostado. Até a próxima!

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