Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias #32

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Autor: Francis Scott Fitzgerald
Editora: José Olympio
Ano: 2009
Páginas: 277

“F. Scott Fitzgerald, o escritor laureado da Era do Jazz, o símbolo de uma geração de jovens que faziam da vida uma sucessão ininterrupta de festas e estrepolias”

O expoente de toda uma geração, assim pode ser descrito Fitzgerald. Uma época de prosperidade econômica e de rompimento com uma geração que ainda preservava os valores da família tradicional (parece até século XXI). Época da conquista do sufrágio universal para as mulheres, estas talvez as que mais tenham avançado durante o período que se inicia com o fim da Primeira Guerra Mundial e vai até o Crash da bolsa em 1929, uma época conhecida como a Era do Jazz. Fitzgerald tornou-se expoente dessa geração não apenas pela sua obra, e nesse livro são apresentadas nove dessas histórias, mas principalmente pela sua vida pessoal, que nada tinha de particular posto que junto com sua esposa Zelda viviam em festas e bebedeiras nos círculos mais altos da sociedade, seja em Nova York, seja em Paris ou Cannes.

Um ídolo da juventude, um exemplo que todos os jovens queriam seguir: fama, dinheiro, mulheres, festas, etc. O seu fim trágico, doente e com uma mulher esquizofrênica internada em uma clínica pouco importa, mas não farei aqui uma biografia de Fitzgerald, tentarei mostrar, através da resenha desses contos, um pouco da importância dele para a literatura mundial.

A maioria das histórias têm alguns pontos em comum: casais jovens apaixonados; festas que pareciam intermináveis regadas a muito álcool; mulheres à frente de seu tempo, com atitudes até então impensáveis, como vestir-se não só elegante, mas sensualmente; e talvez o mais importante, a mudança de pensamento de toda uma geração, onde a prosperidade criou uma sociedade voltada não só para o trabalho, mas principalmente para o lazer e o prazer. As descrições das paisagens, a surpreendente descrição do cheiro do ar, da cor do céu, do barulho dos pássaros, são marcas registradas de Fitzgerald e impressionam o leitor.

Como muitos milhares de outras jovens esposas em Nova York, desejava honestamente fazer alguma coisa. Se tivesse um pouco mais de dinheiro e um pouco meno de amor, poderia ter-se dedicado a cavalos de corrida e a amores extravagantes.

O conto As Costas do Camelo versa sobre as famosas festas, loucas, da época do autor. É a história de Perry Parkhurst e a sua ida à uma festa fantasiado de camelo! É uma loucura total. É uma história de humor, e retrata bem o ritmo frenético de festas regadas à álcool, casamentos arranjados e zelo por nomes e reputações.

Os contos O Boa-Vida e Ó Feiticeira Ruiva falam sobre o sentimento de inutilidade diante dos acontecimentos da vida.

Com o despertar de suas emoções, o que primeiro experimentou foi uma sensação de inutilidade, uma dor surda ante a extrema desolação de sua própria vida.

Deixam uma lição: ou corremos atrás de nossos sonhos ou a vida nos engole. Deixar tudo para o futuro faz com que você esqueça de viver o presente, e é no presente que a sua vida acontece, a busca pelo equilíbrio entre anseios e realizações não deve toler ninguém de viver intensamente.

A história O Conciliador é um conto muito interessante sobre essa busca pelo equilibro que falei acima. Luella Hemple vive intensamente sua vida, e apesar de ser casada e ter um filho, nunca desperdiça uma boa festa e um bom flerte com algum novo forasteiro. Mas esta vida de superficialidade não deixou-a ver que seu filho e seu marido adoeciam. Um soturno dr. Moon aparece para ajudá-la. Infelizmente alguém sempre paga por nossas escolhas erradas, principalmente quando sabemos que elas estão erradas. Luella teve tempo para arrepender-se, mas pagou um preço muito alto.

Sangue Ardente, Sangue-Frio é um conto que pode muito bem ser ambientado nos dias atuais: Jim Mather é um cidadão que sempre procura ajudar as pessoas, presta favores e empresta dinheiro a amigos. Porém, sua esposa Jaqueline insiste que ele não passa de um bobo, e que todos são seus amigos para passarem ele para trás. Contudo, mesmo tentando ser uma pessoas mais rude, e mais séria com as pessoas ao redor, Jim descobre que fazer o bem sempre traz recompensas. É a velha história da consciência daquele que paga seus impostos em dia, que respeita as filas, que respeita o direito das outras pessoas. Nesse mesmo sentido, de uma história atual, A Soneca de Gretchen apresenta Roger Halsey imerso em uma vida de trabalho. Gretchen e o filho do casal são relegados à segundo plano por Roger, que apenas trabalha e trabalha, incansável e incessantemente todos os dias e todas as noites durante quase dois meses. Será que o sucesso profissional é um fim que justifica todo e qualquer meio para alcançá-lo?

O Resíduo da Felicidade e Tarquínio de Cheapside são contos mais leves, que tratam de amizades e redenção.

E, finalmente, a história mais conhecida do livro: O curioso caso de Benjamin Button

Uma fantástica história de um homem que nasce velho e vai ficando jovem com o passar dos anos. As suas percepções amorosas são dignas de nota, pois enquanto ele rejuvenesce física e mentalmente, sua esposa envelhece na mesma proporção. A juventude traz consigo o desejo de aventura, a paixão à flor da pele, a inconsequência como forma de agir, enquanto sua mulher, perto da senilidade, apenas quer um lugar para repousar e passar os últimos dias de vida. Esse conto traz uma reflexão muito interessante. Vale a pena ser respeitável aos dezoito anos e com cinquenta ter a energia de um adolescente? Respeito quando se tem a mente jovem e inconsequente e energia quando se tem experiência de vida? Tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Benjamin em seus últimos dias de vida não lembra qual é o gosto do leite que tomou no dia anterior, e já não lembra de quem é o rosto daquela que troca-lhe a fralda.
Ao se referir à esposa, ele diz: “Já devorada pela inércia eterna que acaba um dia por viver com cada um de nós e que permanece conosco até o fim.” Ao ler isso lembro de outra obra, Rei Lear, onde um bobo da corte diz ao Rei que ele “ficou velho antes de ficar sábio”, e penso que mesmo Benjamin, com seus sessenta e cinco anos, mas com a mente e o corpo de um garoto de dez, desejando apenas alimento e as brincadeiras de seus amiguinho de classe, ficou velho. E ao envelhecer não soube aproveitar tudo aquilo que tinha e que era somente seu: sua sabedoria e suas memórias.

A maior referência desse livro é, sem dúvida, o filme O Curioso Caso de Benjamim Button, de 2008. Porém, é uma adaptação e apenas o roteiro (um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo com tempo) é o mesmo. As ações são completamente diferentes. O fim de Benjamim, no livro, é outro.

Recomendo muito a leitura desse livro!

Abraços.

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