A Máquina do Tempo #36

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Autor: H. G. Wells
Editora: Francisco Alves
Ano: 1981
Páginas: 152
Formato: E-book

“Ao escrever isto, sinto agudamente como a pena e a tinta são insuficientes para exprimir a essência, e dou-me conta, mais ainda, de minhas próprias limitações. Creio que você, leitor, lê com bastante atenção.”

Histórias sobre viagens no tempo permeiam nossas vidas, mas essa em particular é sensacional, e é também uma das primeiras do gênero, sendo publicada originalmente em 1895.
O livro é escrito como um relato, escrito em primeira pessoa por alguém sem nome (que chamarei a partir daqui de Cronista), para um leitor, qualquer que seja (pode ser até mesmo você que está lendo este post).
Mesmo o nome do personagem principal não é importante, ele é conhecido apenas como Viajante do Tempo, e organiza uma reunião para mostrar sua mais nova invenção. Tem o cuidado de chamar, além do Cronista, um médico, um psicólogo, e um sujeito chamado Filby (finalmente alguém com nome, pena que este não faz a menor diferença na história). Entre espantos e ceticismos uma nova reunião é marcada para uma experiência inovadora.

A segunda reunião se deu em um jantar, onde estavam presentes: o Cronista, o Viajante do Tempo, um redator-chefe, um jornalista, o médico e um homem silencioso. A partir daqui o que lemos é um relato fantástico. O Viajante do Tempo conta em pormenores sua experiência de oito dias viajando pelo tempo, para um futuro muito distante no ano de 802.701.

Senti-me nu em um mundo estranho. Senti talvez o mesmo que sente um pássaro quando voa no espaço aberto e vê um gavião pairando por cima dele, pronto para atacá-lo.

Ele encontrou uma sociedade diferente de tudo o que ele imaginou, onde com a natureza totalmente conquistada e domada a humanidade entrou em profundo relaxamento, não tendo mais necessidade de gastar energia para modificar o meio em que vivia. Esse fato transformou a humanidade em seres iguais, onde homens e mulheres se pareciam com crianças, tanto fisica quanto psicologicamente, uma raça chamada de “Eloi”. Não haviam problemas. Mundo perfeito? O Viajante do Tempo logo descobriu que não: sua máquina do tempo havia sumido!

O vigor é produto da necessidade; a segurança é um convite ao enfraquecimento.

Ele logo descobriu que havia uma sociedade vivendo no subterrâneo, os “Morlocks”, com aparência mais assustadora: pele branca, olhos grandes e cabelos compridos. É digno de nota as hipóteses levantadas pelo Viajante do Tempo para que a humanidade tivesse chegado àquele ponto de sua história. São, além de interessantes, completamente plausíveis, mesmo para os dias atuais.
Uma aventura fantástica, cheia de perigos e momentos de tirar o fôlego. Do apego à pequena Weena até a descoberta que fósforos eram a arma mais letal e a mais necessária para a sua sobrevivência, o Viajante do Tempo consegue reaver sua máquina e finalmente voltar para casa.

Para casa? Não! O Viajante do Tempo errou a colocação das alavancas e foi ainda mais para o futuro, onde um sol grande e vermelho nunca se põe sobre uma terra morna e abafada. Onde o mar é uma massa de água parada, o ar é rarefeito como em uma montanha e os animais mais simples são gigantes. O Viajante foi ainda mais à frente no tempo e descreve um futuro longínquo surpreendente (essa parte vale muito a pena ler). Pura ficção ou profecia? Será tudo isso apenas imaginação?

O autor do livro magistralmente critica a sua sociedade ao escrever sobre um futuro distópico. Mostrando o que pode dar certo, e a melhor forma de viver em sociedade (ele achava que a melhor forma era o Comunismo), ele acaba por mostrar o que dá errado em seu próprio mundo. Genial!

Como venho fazendo nos últimos post, o filme indicado é Time After Time ou Um século em 43 minutos (que tradução horrível!). Mesmo com diversos bons filmes sobre viagens no tempo, este apresenta o próprio H. G. Wells como o viajante do tempo, procurando por Jack, o Estripador. Com esse roteiro louco o filme até que é legal.

Que aventura! Livro mais que recomendado.
E você, se pudesse, iria para o futuro ou para o passado?

A imagem destacada é uma réplica do que seria a máquina do tempo descrita no livro.

Até a próxima!

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