Che Guevara #37

rsz_p_20161222_222036Autor: Olivier Besancenot e Michael Lowy
Editora: UNESP
Ano: 2009
Páginas: 150

“Ernesto ‘Che’ Guevara não era um santo, nem um super homem, nem um chefe infalível […] mas tinha coerência entre as palavras e os atos, as ideias e as práticas, o pensamento e a ação.”

A morte do Comandante/Ditador/Comunista/Chefe de Estado/Presidente cubano Fidel Castro, em 25 de novembro deste ano, me levou a este livro. Pois mesmo que se trate de um companheiro de Fidel, Che Guevara compartilhava dos mesmos ideais.
O livro fala mais do “Guevarismo” do que de Che, mais do mito do que do homem. Não poderia deixar de ser, pois essa icônica figura do século XX, que despertou paixão e ódio, até hoje tem seu nome relacionado com a (para mim) mais importante revolução já feita: a Revolução Cubana de 1959.

Tudo começou em 1951 quando Che decidiu cruzar a América Latina com seu amigo, e também estudante de medicina, Alberto Granado, em uma moto. A situação dos povos que encontrou no caminho, seja no Chile, na Bolívia ou no Peru, mudaram sua atitude diante de um mundo cada vez mais cruel com os mais pobres. Em sua segunda viagem, em 1953, foi mais longe. Chegando à Costa Rica conheceu os sobreviventes do ataque ao governo cubano de Batista, e ficou fascinado pelo líder estudantil que planejara toda a ação, um certo Fidel Castro. Nasce desse momento uma parceria que duraria o restante da vida de Che.
Seguindo talvez os passos de Simón Bolivar, que plantou o gérmen da revolta contra a dominação espanhola no século XIX, Che idealizou uma luta dura, porém necessária para libertar o povo do capitalismo predatório. Sua principal preocupação era com o humano. Para ele importava mais as ações voluntárias, as ações voltadas para efetivamente resolver e melhorar a vida das pessoas, para dessa forma atingir um objetivo maior de transformar uma nação. Nesse ponto foi até censurado pelo comando soviético, mais afeito a políticas maiores, eleições partidárias e perseguições em massa. Fica claro que Che seguiu as ideias de Marx, mas criou as suas próprias.

Permitam-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário autêntico é guiado por grandes sentimentos de generosidade, é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem essa qualidade.

Mas e do homem Ernesto Guevara, médico argentino? Muito se sabe, mas pouco importa para a história. Odiado por alguns, amado por outros, a verdade é que Che possuía sim um ideal de ajuda aos mais necessitados, mas até mesmo ele se desencantou com o socialismo soviético. Cometeu erros, errou em decisões. Mas está marcado para sempre na história como um revolucionário.
É um livro sobre ideias políticas e sociais, por isso é tendencioso. Mas não há como fazer um livro sobre Che Guevara e não ser tendencioso, tanto para qualificá-lo quanto para denegri-lo. A leitura dessa obra deve ser acompanhada do filtro da coerência e da honestidade. Senão o leitor está fadado a: ou comprará imediatamente uma camisa vermelha com a foto de Che, ou queimará todos os panos vermelhos junto com os livros de História do Ensino Médio.

Mas vale a pena pelo exercício de praticar os seus filtros de leitor. Acredito sinceramente que para se amar ou odiar qualquer coisa: pensamentos ou pessoas, o primeiro passo é conhecer a fundo essa coisa. Esse livro se apresenta nesses termos.

Filmes: listarei filmes sobre Che Guevara, mesmo o livro falando (muito) sobre socialismo. Primeiro o ótimo Diários de Motocicleta de 2003, e também a série de dois filmes sobre a vida do revolucionário: Che e Che 2 – A Guerrilha, ambos de 2008.

Na imagem destacada uma foto de Che Guevara ao lado de Fidel Castro, datada de 1959, após a tomada do poder em Cuba.

Até a próxima!

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