Laranja Mecânica #38

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Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Ano: 2014
Páginas: 199

“Então, o que é que vai ser, hein?”

Antes de continuar: dê play nesta música, por favor.

Agora sim, continue…

Um mundo distópico onde os pobres vivem separados dos ricos, onde uma sociedade decadente proíbe a venda de álcool, mas permite as drogas. Onde uma polícia também decadente trata a violência com mais violência. (As vezes não sei se estou falando do livro ou da sociedade atual). E onde grupos de jovens arruaceiros têm toda a liberdade para praticar diversos delitos. Esse é o cenário do livro. Distópico? Nem tanto. Anthony Burgess não cria apenas um mundo, mas também um dialeto próprio, a linguagem nadsat. E você pode ler o livro conferindo o glossário ou pode simplesmente ler e inventar o significado dessas palavras. Um livro sobre gangues? Sim, mas também um livro sobre a decadência moral e social do ser humano. Um livro sobre escolhas, e suas consequências. E também um livro sobre o bem e o mau.

Maldade vem de dentro, do eu, de mim ou de você totalmente odinokis, e esse eu é criado pelo velho Bog ou Deus, e é seu grande orgulho e radóstia.

O livro se divide em três partes.
A primeira mostra toda a violência e loucura de um grupo de adolescentes liderados pelo insano Alex, um garoto de aproximadamente 15 anos que vive numa suposta classe média, recém saído de uma unidade correcional. Os pais de Alex o tratam com certa indiferença, não se importando com as faltas na escola ou com o suposto emprego noturno do filho.
Alex é um personagem diferente de tudo o que eu já vi: líder de gangue, violento, arruaceiro, estuprador, amante de música clássica especialmente Beethoven, manipulador e gênio ao mesmo tempo.
Alex e seus druguis (Pete, Georgie e Tosko) fazem o que todos os jovens da cidade fazem à noite: bebem leite com drogas e saem nas ruas espancando, roubando e estuprando todos que veem. Entram em uma briga com um grupo rival, espancam um professor e maltratam um bêbado. Assaltam uma casa e estupram a mulher; em outra, matam uma mulher de tanta toltchok. Violência gratuita fruto da decadência social.
A descrição minuciosa das violências cometidas pelo grupo de Alex dão nó no estômago dos mais fracos. Alex é traído pelos seus comparsas e pego pela polícia. Sua última vítima faleceu e ele foi considerado culpado, com uma pena de 14 anos na cadeia. E ele só tinha 15.

O que Deus quer? Será que Deus quer insensibilidade ou a escolha da bondade? Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor que um homem que teve o bem imposto a si?

A segunda parte fala sobre a vida de Alex na prisão, um lugar sujo e fedido, um verdadeiro “zoológico humano” nas palavras dele. Ele viu “naquela kal toda de religião” uma saída, e se aproximou do capelão que rezava as missas da cadeia. Paradoxalmente, após um incidente, onde Alex espancou e matou outro preso, ele conseguiu uma passagem para fora da cadeia através de um novo Tratamento para curar sua maldade, chamado Ludovico.
Esse tratamento consistia em sessões diárias de cinema. Mas apenas filmes violentos, uma violência nua e crua com todo tipo de atrocidade. Junto com os filmes tocava uma música alta, feroz e cheia de discórdia. Alex era amarrado à uma cadeira, com fios presos à sua cabeça e ao seu corpo, com os olhos abertos por pinças para que não pudesse piscar. Esse procedimento tinha como objetivo fazer com que a maldade de Alex fosse extirpada de seu ser. Ele não podia mais ver, ouvir ou pensar em qualquer violência que seu corpo reagia com enjoos e vômitos. E assim Alex conseguiu sair da prisão.

Você não tem motivo para reclamar, garoto. Você fez sua escolha e tudo isto é consequência dessa sua escolha. O que quer que aconteça agora, você mesmo escolheu.

A terceira parte mostra a vida de Alex após o Tratamento.
Essa parte é diferente do filme, e não seria legal com vocês se eu contasse o final, então meu caros druguis não fiquem decepcionados, mas essa veshka toda de contar o final é uma kal total. Esse vek horrorshow que vos fala acredita que tenham ficado com vontade de ler essa bolshi e dorogoi obra.

O filme Laranja Mecânica de 1971 apenas abrilhanta a grandiosidade do livro. Para mim tanto faz ler o livro antes ou depois de ver o filme, mas considero um dever moral vocês lerem ou assistirem pelo menos um dos dois.

Até a próxima, druguis!

Glossário
odinoki: sozinho
Bog: Deus
radóstia: alegria
druguis: amigo
toltchok: porrada
kal: merda
vek: sujeito
horrorshow: legal
bolshi: grande
dorogoi: valiosa

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