Waterloo #40

waAutor: Bernard Cornwell
Editora: Record
Ano: 2015
Páginas: 363

“Não era alto, pouco mais de 1,70 metro, no entanto ainda era hipnótico. Era extremamente inteligente, perspicaz, facilmente entediado, mas raramente vingativo. O mundo não veria nada parecido com ele novamente até o século XX, mas, diferentemente de Mao, Hitler ou Stalin, Napoleão não era um tirano assassino, embora também tenha mudado a história. Era, sobretudo, um líder militar.”

A história de uma batalha que para sempre marcou a história da humanidade. Este livro é a historia de quatro dias (de 15 a 18 de junho de 1815), três exércitos (Francês, Britânico e Prussiano) e três batalhas (Quatre Bra, Ligny e Waterloo). Do confronto que deteve Napoleão Bonaparte.

Poucas batalhas têm sido estudadas com tanta atenção, pesquisadas com tanta abrangência ou motivados escritos com tanta frequência, mas ainda há mistérios.

Napoleão estava exilado na ilha de Elba, entre a Córsega e a Itália, tramando seu retorno à França em 1814, quando um sorte de acontecimentos precipitou a volta do Grande Imperador. Ao mesmo tempo, em Viena, os plenipotenciários dos aliados vencedores da última guerra discutiam um acordo de paz cada vez mais distante .
Consciente de que seu retorno traria novamente a guerra, Napoleão nem bem chegou e iniciou os preparativos para uma movimentação de defesa. Organizou, treinou e armou um grande exército, l’Armée du Nord, e se posicionou em sua fronteira norte, com a recém formada província da Bélgica. Do outro lado estavam os exércitos da Prússia, liderador pelo marechal Blücher, posicionado à leste; e o exército britânico comandado pelo Duque de Wellington, posicionado à oeste. E no centro desses homens uma vila humilde cercada por vales com plantações de centeio, chamada Waterloo.

O sangue escorria deles em riachos. A lama era formada por ossos e carne esmagados

O autor vai criando um clima de suspense mostrando o que poderíamos chamar de bastidores, ou histórias não contadas, como um baile que aconteceu exatamente no dia da invasão de Napoleão e que fez Wellington se atrasar 24 horas. Ou sobre o General Grouchy que não entendeu as ordens de Napoleão e tirou 33 mil sodados franceses do campo de batalha.
Uma batalha de gênios militares. De um lado o sempre presente Wellington, que montado em seu cavalo Copenhagem sempre estava na linha de frente com seu sangue frio e sua frieza elevando o moral de seus soldados. E o Marechal Prussiano Blücher, um experiente soldado de 74 anos que tinha o apelido de “marechal avante”, pois sempre ia em frente. E do outro lado simplesmente Napoleão Bonaparte o Imperador. Dono de uma legião de fanáticos que estavam dispostos a lutar e morrer por ele. Apesar de estar longe de ser o mesmo dos anos anteriores, ainda era um gênio. Napoleão sozinho correspondia a 40 mil soldados, tamanha a sua força de espírito.

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Essa foto foi tirada do Google Maps e mostra à esquerda os campos onde a batalha principal aconteceu, e à direita o monumento chamado Coluna do Leão, que marca o local onde o Príncipe de Orange foi ferido.

As batalhas são descritas como um grande jogo de pedra, papel e tesoura entre cavalaria, artilharia e infantaria, onde cada lado não sabe o que esperar do outro. As formações da batalha, em coluna, linha ou quadrado, bem como as funções de cada regimento ou batalhão é descrita de forma primordial. O leitor sente o cheiro da pólvora quando as peças de artilharia cospem suas bolas da morte; sentem a lama na cara quando a cavalaria e seus gigantes com peitos de aço passam bradando suas espadas e sentem o gosto do sangue quando as infantarias avançam com baionetas caladas aos sons de tambores, cornetas e gritos de “Hurra” e “Vive l’Empereur“, ou quando uma salva de mosquetaria ressoa pelos campos da Bélgica.

E agora afirmo-lhe que Wellington é um general ruim, que os ingleses são soldados ruins e que esse caso estará encerrado antes do almoço!

Bernard Cornwell surpreende o leitor com um livro excepcional. Uma leitura fluida, e a riqueza de relatos e detalhes dos confrontos abrilhantam ainda mais a obra. Os mapas auxiliam muito e transformam a leitura, levando o leitor a sentir os campos e vales de Waterloo. Um livro magistral. Mais que recomendado.

Indico a leitura do livro Napoleão, resenhado neste blog, e que traz uma biografia política do Imperador.

Na imagem destacada o óleo sobre tela de Adolf Northern intitulado Attacking the Prussians in Plancenoit in the Battle of Waterloo (1863). É a mesma imagem da capa do livro.

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Até a próxima!

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