Antônio & Cleópatra #4

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Autor: William Shakespeare
Editora: L&PM
Ano: 2005
Páginas: 174

Quanto a ela, estava simplesmente indescritível: recostada sobre um dossel de brocado de ouro, mais linda que uma imagem de Vênus onde se vê a imaginação do artista superando a natureza.

Até onde uma mulher pode levá-lo?

O Império Romano viveu o Segundo Triúnviro entre 43 a.C. e 33 a.C., sob o comando de Marco Antônio, Otávio César e Lépido. Este Triúnviro foi criado em um momento de extrema crise do Império pois foi após o assassinato do Grande Imperador Júlio César.
Porém a marca que o Segundo Triúnviro deixou na história da humanidade foi uma paixão. Marco Antônio, um dos melhores generais de Júlio César, ao visitar o Egito viu a rainha Cleópatra e por ela se apaixonou perdidamente. Shakespeare, neste livro, retrata os derradeiros atos dessa paixão, que junto com política, traição, ambição e luxúria marcaram a história de Roma.

É quando descansamos as nossa mentes férteis que nelas fazemos brotar ervas daninhas, e ter nossas mazelas ditas a nós em alto e bom tom serve para arrancarmos o inço e prepararmos uma boa safra.

Depois de um tempo ao lado de Cleópatra, Marco Antônio retorna à Roma quando esta está prestes a ser invadida por Pompeu. Mesmo acordando a paz, a reputação de Antônio está muito longe daquela que o fez ser adorado por Júlio César. E os primeiros atritos com Otávio César se iniciam. A solução encontrada por Lépido foi o casamento arranjado entre Antônio e a irmã de César, Otávia. O enlace logo se mostrou um engodo, e Antônio, louco de paixão e saudade, acaba retornando para os braços da lasciva e charmosa Rainha Cleópatra.

Os meus fios de cabelo brigam entre si, pois os brancos reprovam os castanhos pela imprudência, e estes recriminam aqueles por sentirem paixão e medo.

A Rainha do Nilo é retratada pelo autor de forma excitante. Uma mulher com vontades e desejos que mudam ao sabor dos ventos, que ao mesmo tempo que atrai inúmeros amantes, os transforma em um bando de loucos enciumados. Amante dos banquetes regados à vinho e luxúria, logo conquistou Antônio e teve com ele dois filhos: Alexandre Hélio e Cleópatra Selene. Não se admira que Antônio, dono de meio mundo, logo desse parte desse mundo para os filhos e para a amante. E essa foi sua ruína. Logo que Roma soube, César aprontou-se para a guerra e marchou contra o Egito.

Reinos não passam de barro; da mesma terra fétida alimentam-se homens e feras. Na vida, a nobreza está em proceder assim, quando podem assim proceder os dois que formam um par de tal modo sincronizado.

Talvez o fim seja de conhecimento de todos: o suicídio de Antônio e Cleópatra. A história já o disse, mas Shakespeare usa sua genialidade para nos mostrar como. E esse livro/peça cumpre com o objetivo. Cheio de diálogos curtos porém intensos, essa tragédia shakespeariana usa e abusa do jogo de palavras entre política e paixão. Aliás, o que seria de uma sem a outra?
Cleópatra era o Sol dos homens, todos a orbitavam. Amar Cleópatra era também a ruína daquele que se aventurava. Qual é o poder de uma mulher? Desde Cleópatra (talvez até antes) se coloca essa questão, e até hoje não há resposta definitiva. O poder da mulher é incomensurável.

O filme que retrata essa paixão é Cleópatra de 1963, com Richard Burton e Elizabeth Taylor.

Ainda tem o livro resenhado neste blog, A Vida dos Doze Césares que retrata um pouco da vida desses grande nomes da história.

Na imagem destacada o quadro The Banquet of Cleopatra, do pintor Juan Battista Tiepolo, de 1743 – 1744

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Até a próxima!

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