O Retrato de Dorian Gray #41

owAutor: Oscar Wilde
Editora: Abril
Ano: 1981
Páginas: 268

Sim, era, na realidade, maravilhosamente belo, com seus lábios rubros finamente traçados, seus olhos francos e azuis, e sua cabeleira crespa e loura. Ali estava todo o candor da juventude, unido à pureza ardente da adolescência.

Esse livro foi publicado pela primeira vez em 1891, e Oscar Wilde fez uma crítica tão contundente à sociedade londrina do final do século XIX, cheia de pompa e tão vazia de inteligência, que o livro ofendeu a sensibilidade moral dos críticos literários britânicos. Alguns desses críticos disseram que Oscar Wilde merecia ser acusado de violar as leis que protegiam a moralidade pública. Imaginem só!!!!

O que você faria para ficar eternamente belo e jovem?

Dorian Gray é um jovem humilde, que acabara de ingressar na alta sociedade inglesa através de uma herança. Por sua beleza fora do normal e uma personalidade doce, gentil e amável, ele torna-se a inspiração do pintor Basílio Hallward, que resolve retratar um quadro do belo rapaz. No ateliê do pintor entra em cena Lorde Henry Wotton, amigo de Basílio, que logo fica curioso sobre este jovem que o pintor tanto aclama e derrama elogios e decide por aguardar a presença do mesmo.

O primeiro encontro de Dorian e Henry é repleto de reflexões acerca da vida e da juventude, e levam o jovem a nutrir um sentimento de verdadeira admiração por Lorde Henry. Nasce desse encontro uma amizade onde a atração era mútua, Dorian se sentia atraído pelo conhecimento e pela verdade que Henry carregava nas palavras. E este era atraído pela beleza, juventude e pureza de Dorian Gray.

Pois se há no mundo uma coisa pior do que falarem de nós: é não falarem de nós.

Basílio Hallward finalmente termina o quadro do jovem Dorian, e constata que acabara de pintar uma obra-prima. Um retrato tão realista, e por isso mesmo tão jovem e tão belo, que Dorian afirma que trocaria sua alma para se manter naquele estado de juventude. Como sempre, Lorde Henry faz um discurso sobre a juventude que tira Dorian de seu eixo, explicando que ele não se preocuparia com a juventude até que estive velho.

A maravilhosa juventude; algum dia, quando estiver envelhecido, enrugado, feio, quando a meditação lhe estiver murchado a fronte com suas rugas e a paixão marcado seus lábios com horríveis estigmas, senti-la-á, senti-la-á terrivelmente.

Qual não é a surpresa de Dorian Gray ao saber que seu pedido fora atendido e que seu corpo para sempre se manteria naquele estado de juventude e beleza, e que as agruras do tempo apenas seriam sentidas pelo seu retrato. Ele passa então a aproveitar todo o esplendor da mocidade com inúmeras festas, amores e excessos. Tendo como aliado o tempo, Dorian Gray se dá ao luxo de se especializar nas mais diversas áreas: jóias, música, tapeçaria, tecidos, festas, bebidas, alimentos e mulheres. Oscar Wilde faz uma descrição minuciosa de todos esses gostos extravagantes.

Outro ponto alto da obra são as reflexões filosóficas que Lorde Henry expressa ao longo dos luxuosos jantares da alta sociedade londrina. Ora apresentando escancaradamente a podridão daquelas pessoas, ora conversando com Dorian sobre casamentos, amores, juventude, excessos e privações. Sutilmente o autor discorre sobre diversos pontos da vida, de forma simples porém profunda.

Enamorava-se cada vez mais de sua própria beleza e cada vez mais se interessa pela degradação da própria alma.

Porém dois acontecimentos mudam a forma como Dorian enxerga a si próprio e o rumo que sua vida tomou. O primeiro deles é um romance efêmero com Sibyl Vane, uma atriz de segunda classe, por quem Dorian nutre uma paixão avassaladora. Mas depois de marcar o noivado, e ter um acesso de desprezo, Dorian rompe o compromisso fazendo com que a tristeza de Sibyl se torne um suicídio. O outro acontecimento se passa décadas depois quando o velho pintor Basílio Hallward interroga Dorian para saber se tudo o que falam a respeito do rapaz é verdade e se sua alma está realmente manchada pela impureza mundana. Em outro acesso de raiva, Dorian Gray assassina o pintor.

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Dorian muda por completo. Ao contemplar o seu retrato descobre tudo o que se tornou: um monstro. Pele retorcida, olhar perdido, raiva nos lábios e sangue nas mãos. Mas o tempo, antes seu aliado torna-se seu inimigo. Dorian jamais iria esquecer das coisas que fez, e essa seria sua maldição para sempre. Ele descobriu que a sua alma sempre estaria marcada mesmo se seu corpo fosse são. A juventude eterna, por fim, se tornou sua ruína.

A putrefação de um cadáver em um túmulo úmido não seria tão medonha.

Um livro importantíssimo para o autoconhecimento. Mas diferente desses “auto-ajuda” que lotam prateleiras, O Retrato de Dorian Gray mostra o que acontece quando você deixa de ser quem é para conseguir o que quer. Tem um provérbio judaico que se encaixa muito bem como epílogo: “Cuidado com o que desejas, pois poderás ser atendido”.

Livro mais que recomendado.

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Até a próxima!

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12 comentários

  1. Já li esse livro e adorei. A lição que ficou para mim é que devemos tentar evoluir a alma e toda vez que cobiçamos excessivamente algo fútil (como beleza, por exemplo) nos tornamos monstros e escravos. Abraços.

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  2. Tenho esse livro na nova edição da Penguin-Companhia. Vi que a editora Biblioteca Azul publicou a edição original, sem censura. Um pesquisador britânico teve acesso ao manuscrito original e a edição foi publicada lá e chegou aqui no Brasil recentemente. A minha edição é a que possui censura, porém ainda não a li. Certamente irei ler em breve, ainda mais lendo o seu post. Muito bom, gostei.

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  3. Tinha uma edição em inglês, quando ainda estava aprendendo, fui emprestar e até hoje… Sempre tive muita vontade de ler o livro, acho que a versão original deva ser mais intensa talvez (acho incrível como ele consegue se manter polêmico desde a Era Vitoriana até hoje).

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