Joyland #48

p_20170904_141605.jpgAutor: Stephen King
Editora: Suma de letras
Ano: 2015
Páginas: 238

Foi o ano perdido de Devin Jones. Eu era um virgem de vinte e um anos com aspirações literárias. Tinha três calças jeans, quatro cuecas e um Ford velho (com um rádio bom), pensamentos suicidas eventuais e um coração partido.

O livro conta a história de Devin Jones, um garoto de vinte e um anos, apaixonado por sua namorada da Universidade e louco para perder sua virgindade. Mas que também queria dinheiro para se manter, e por isso buscou um emprego de verão no parque de diversões Joyland. Devin possuía sentimentos muito complexos para um jovem rapaz. Ao mesmo tempo em que queria transar pela primeira vez também pensava em sua vida de adulto, provavelmente como escritor, pensava na falecida mãe, no solitário pai, e nas muitas aventuras que estava perdendo, mesmo que não soubesse onde elas estavam acontecendo.

Dev (é assim que ele é chamado) busca então fazer um dinheiro nas férias de verão e ao saber que sua namorada arrumou um emprego em outra cidade, o que possivelmente terminaria com seu namoro, sua cabeça (de baixo) pirou de vez. Inconformado com a distância, Dev se embrenhou nas histórias de Tolkien e nos discos do The Doors e do Pink Floyd. Finalmente ele consegue um bico no parque de diversões Joyland, como um faz-tudo responsável desde o abastecimento dos prêmios da barraca de tiro ao alvo até a limpeza e manutenção dos brinquedos.

“Quando se tem vinte e um anos, a vida é um mapa rodoviário. Só quando se chega aos vinte e cinco, mais ou menos, é que se começa a desconfiar que estávamos olhando para o mapa de cabeça para baixo, e apenas aos quarenta temos certeza absoluta disso. Quando se chega aos sessenta, vai por mim, já se está completamente perdido.”

Dev conheceu muita gente importante para sua vida. Como Erin e Thomas, um casal de amigos da faculdade que também foram para Joyland naquele verão. Rozzie, a vidente que realmente possuía dons adivinhatórios e falou sérias premonições para Dev. Eddie Parks, um velho ranzinza com alma de parque que odiava tudo e todos e Lane Hardy, principal mecânico do parque, por quem Dev nutria um sentimento de grande amizade.

Além deles, Dev conheceu Mike, um garoto que tinha graves problemas de mobilidade, desenganado pelos médicos, que vivia preso a uma cadeira de rodas e passava os dias na beira da praia que Dev usava para chegar a Joyland. Mike sempre estava com Annie, sua mãe, mulher de meia idade, filha de um pastor pentecostal por quem nutria um ódio faraônico. A amizade que inesperadamente surgiu entre Dev e Mike, também o aproximou de Annie de uma forma peculiar.

“Não foi só uma vez, para minha sorte, porque a primeira durou, eu diria, uns oito segundos. Talvez nove. Eu entrei, ao menos isso consegui, mas aí tudo jorrou para todo lado.”

Agora, junte todos esses ingredientes e coloque uma pitada de suspense através da morte de uma garota chamada Linda Gray, que morreu dentro do trem fantasma de Joyland alguns anos antes. Stephen King, honrando sua alcunha de mestre do suspense, nos apresenta uma história que vai da comédia ao terror, passando por muita adrenalina e algumas lágrimas. A história é contada pelo próprio Jonesy (ele era chamado assim no parque), como se fossem memórias. Acompanhamos sua trajetória desde a faculdade até os primeiros dias em Joyland. Suas peripécias no parque, sua amizade com Mike, suas tentativas de desvendar o crime, sua relação com Annie e o desfecho de tudo isso, surpreendente.

“Essas coisas que aconteceram há muito tempo, em um ano mágico em que o petróleo era vendido por onze dólares o barril. O ano em que meu coração foi partido. O ano em que perdi a virgindade. O ano em que salvei uma linda garotinha de se engasgar e um velho bem cruel de morrer de um ataque cardíaco. O ano em que um louco quase me matou em uma roda-gigante. O ano em que eu queria ver um fantasma, e não consegui. Também foi o ano em que aprendi a usar uma língua secreta e a danças Pop Pop com uma fantasia de cachorro. O ano em que descobri que há coisas piores do que perder uma garota.”

Um livro excelente que prende o leitor do início ao fim. Um suspense com um toque de comédia, assim o classifico. Recomendo.

Na imagem destacada o quadro de Agostinho Batista de Freitas, nomeado de Circo Artista, de 1973.

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Até a próxima!

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