O Velho e o Mar #51

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Autor: Ernest Hemingway
Editora: Civilização Brasileira
Ano: 1995
Páginas: 136

“Mas o homem  não foi feito para a derrota. Um homem pode ser destruído mas nunca derrotado.”

O Velho e o Mar é um dos principais livros de Hemingway, escritor consagrado vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1954. Ao saber disso antes da leitura confesso que a expectativa estava alta. Pensei: um livro tão bem falado, considerado um clássico da literatura mundial, deve conter uma história forte, com personagens mais fortes ainda. E não é isso que se lê. Mas, calma. Eu explico.

O livro conta a história de Santiago, um velho pescador, muito experiente, que está vivendo uma maré de azar. Mais de 80 dias que não consegue pescar nada. Ao encontrar com um jovem de nome Manolin, que foi seu assistente desde os 5 anos, Santiago sente que seu azar pode acabar. Manolin agora trabalha para outros pescadores depois que seus pais o mandaram “largar aquele velho azarento”. Contudo, o fascínio que Santiago exerce sobre Manolin ainda está vivo no pensamento do jovem, que decide ajudar mais uma vez o velho pescador.

Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis.

Assim, a simplicidade da vida de Santiago é exposta. Vive descalço, mora em uma cabana extremamente humilde, que tem apenas uma cama de palha e jornal e algumas prateleiras. Os anos no mar deixaram marcas profundas em seu corpo. A pele do pescoço é grossa, as mãos calejadas, o rosto vincado de rugas. Santiago é um homem simples. Que não se importa com nada, que não está preocupado com nada, que vive apenas para pescar e se sustentar.

Santiago parte para alto mar, sozinho. Após um dia inteiro contemplando a cor do mar, o vento e o sol, o pescador sente que fisgou algo diferente. Incrivelmente Santiago passa dois dias e três noites para conseguir capturar o gigantesco peixe. Amarra-o ao lado do barco e tenta voltar para Havana, de onde saiu. Infelizmente tubarões sentem o cheiro do sangue do peixe e Santiago trava outra batalha contra esses predadores para defender seu troféu. Chega exausto ao porto, apenas com a carcaça do grande peixe, e volta para sua cabana para descansar. E a história termina por aí. Pelo menos nas páginas do livro.

Gostaria de ser aquele peixe, e trocaria de bom grado a minha vontade e a minha inteligência para ter tudo o que ele tem.

E é depois que o livro acaba que, na minha opinião, ele realmente começa. Santiago é um homem simples, mas ele é livre. Livre para pensar sobre as marés e sobre as estrelas, que são as ferramentas que guiam os pescadores em alto mar. Livre para conversar em voz alta com seus membros, pedindo para que sua mão esquerda não sinta câimbra, ou que sua mente não o traia. Santiago é um homem marcado pela dura vida que leva, mas que em momento nenhum reclama, nenhuma adversidade o distrai ou o indigna. Que tivesse vivido essa aventura apenas em sua mente, mesmo assim sentiria os mesmos sentimentos, com a mesma intensidade. Santiago vive por e para si.

Por que será que os velhos acordam sempre tão cedo? Será para terem um dia mais comprido?

O livro me proporcionou a reflexão sobre esse sentido de viver. E de como é árduo viver para si atualmente. Sempre existe alguém, ou alguma coisa, que insiste em querer se colocar entre você e seus pensamentos. Vivemos em bolhas cada vez maiores, tão grandes que nem sequer sabemos que estamos dentro dela. Estamos cada vez mais vivendo dentro da caverna de Platão: olhando sombras e as chamando de Verdade.

Então, O Velho e o Mar não é isso que você acha que é, após ler sobre o livro. É muito mais, pois vai além de suas páginas e proporciona outros pensamentos e reflexões. É um clássico, realmente, pois daqui a muitos anos alguém estará lendo essas mesmas páginas e tendo, se não os mesmos, pensamento bem parecidos.

Na imagem destacada o quadro de Henry Scott Tuke, The Fisherman.

Indico um filme sobre Ernest Hemingway chamado Papa Hemingway in Cuba, produção americana de 2016 que conta um pouco dos anos em que o escritor morou em Cuba.

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Até a próxima!

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