A Ilha do Dr. Moreau #52

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Autor: H. G. Wells
Editora: Alfaguara
Ano: 2012
Páginas: 172

“As criaturas que eu vira não eram homens, nunca tinham sido homens. Eram animais, animais humanizados, um triunfo da arte da vivissecção.”

Sensacional é um excelente adjetivo para essa história. Escritor de outros livros fantásticos, entre eles A Máquina do Tempo e Guerra dos Mundos, H. G. Wells alia, neste livro, dois gêneros: ficção científica e romance de aventura. Em uma época onde livros com este estilo faziam sucesso, A Ilha do Dr. Moreau mostra o otimismo e a euforia do colonialismo europeu através de mares e terras distantes e exóticas, mas também mostra o lado sombrio dos avanços da medicina da época. A história é contada em primeira pessoa por Edward Prendick, um mero passageiro do navio Lady Vain que naufragou na costa Pacífica da América do Sul e que onze meses depois foi encontrado à deriva nos restos de uma outra embarcação, bem próximo do local de seu sumiço.

Prendick ficou à deriva em um bote do Lady Vain com mais dois sobreviventes, mas com o passar do tempo e a escassez dos recursos sua vida ficou por um fio. Milagrosamente, Prendick foi resgatado pelo barco Ipecacuanha que levava uma estranha tripulação. Wells nos presenteia com um início envolvente, que prende o leitor à história.

Lembro que minha cabeça balançava de um lado para outro ao sabor das ondas, e o horizonte onde se destacava aquela vela parecia subir e descer; mas também lembro com a mesma clareza que eu tinha a impressão de estar morto, e achava graça na ironia de que eles estivessem vindo em meu socorro e que por um atraso tão pequeno não conseguissem encontrar meu corpo com vida.

No barco que o resgatou, Prendick logo conhece Montgomery, um homem letrado de Londres que por uma infelicidade do destino tinha encontrado o Dr. Moreau e havia 10 anos que ele não mais conseguia se libertar. Também viu alguns animais, como lobos, lhamas e uma onça, o que aumentou sua curiosidade. Contudo o capitão do barco, que vivia bêbado e de mau humor, logo se insultou com toda a sujeira que os animais faziam e obrigou Montgomery e seu sinistro ajudante, Prendick, e todos os animais a desembarcarem ao primeiro sinal de terra firme. Por sorte, ou azar, de Prendick, a ilha avistada era o destino de Montgomery e dos animais: a ilha do Dr. Moreau.

Era uma ilha plana, coberta de espessa vegetação, principalmente por uma espécie de palmeira. De um ponto remoto erguia-se uma coluna de vapor, elevando-se diagonalmente até uma enorme altura, onde se esgarçava como uma pena de pássaro, até se dissipar ao vento.

Ao chegar à ilha, a principal curiosidade de Prendick estava voltada para seus habitantes. De longe pareciam muito estranhos, com os membros inferiores menores em proporção ao corpo, com o queixo proeminente, mais pelos que o normal e um andar desajeitado. Tudo isso deixou Prendick instigado. A única construção da ilha era o laboratório do Dr. Moreau, e Prendick logo descobriu porque ele tinha escolhido uma ilha remota no Pacífico como casa/laboratório.

O que o Dr. Moreau fazia era a vivissecção dos animais. Ou seja, ele dissecava os animais vivos com o objetivo de realizar estudos de natureza anatomo-fisiológica. Ele transformava os animais em seres próximos aos humanos, além disso Moreau educava e instruía seus monstros a falar, andar sob duas pernas e respeitar seu criador. O horror de Prendick é latente. Ele ficou horrorizado com a dor gratuita que Moreau infligia aos animais pelo simples prazer de ver suas ideias criadoras em ação. Lembrou dos seres na praia quando ele chegou e do ajudante de Montgomery e concluiu que estava em grande perigo.

Avistei uma pia manchada de sangue, sangue escuro e coagulado, bem como sangue fresco e de um vermelho vívido, e senti o cheiro peculiar do ácido carbólico. Então, através de um pórtico que dava para outro aposento, vi um vulto fortemente amarrado a uma estrutura de madeira, um corpo ferido, vermelho, coberto de bandagens.

Prendick tentou fugir, mas acabou caindo no meio de um covil com os monstros de Moreau. Incrivelmente eles falavam e entendiam o que Prendick falava. Mas logo descobriu que alguns seres já mostravam que os sinais animalescos começavam a novamente se tornar primários e que isso poderia trazer muitos problemas para ele. E diante de uma tentativa de Moreau de controlar, através do medo, as suas criaturas, uma revolta acontece.

Ao se ver sozinho com os monstros, já que Moreau e Montgomery haviam morrido em combate, Prendick conseguiu se isolar em uma parte das ruínas do antigo laboratório de Moreau com um dos animais humanizados: o homem-cão. Porém, pouco a pouco Prendick acompanhou o retorno daqueles semi-humanos em animais, se viu afastado da humanidade e flertou com a loucura. A sua única esperança era o retorno da escuna Ipecacuanha.

Por cinco vezes avistei velas, e por três vezes vi fumaça, mas nunca alguém se aproximou da ilha. Eu tinha sempre uma fogueira pronta, que era acessa nessas ocasiões, mas sem dúvida a reputação vulcânica da ilha serviria como explicação para quem avistasse a coluna de fumo.

Finalmente Prendick avistou uma vela que se aproximava da ilha de forma estranha. Descobriu que os dois passageiros estavam mortos. Encheu o pequeno barco de mantimentos e nunca mais ouviu falar daquela ilha amaldiçoada. Ao retornar para a civilização, Prendick descobre que os horrores da ilha do Dr. Moreau jamais o abandonariam e todas as vezes que um ser humano se aproximava dele, Prendick esperava que o lado animalesco brotasse a qualquer momento. Se isolou novamente e nunca contou sua história para ninguém.

Que livro! Li em apenas dois dias porque a história é muito boa e envolvente. Depois de conhecer Wells no livro A Máquina do Tempo, este livro me “pegou de jeito”. Nem preciso dizer que recomendo muito a leitura desse livro.

Na imagem destacada óleo sobre tela de Edwin Henry Landseer, chamado The Defeat of Comus, de 1843. Essa pintura está citada nas notas da edição que li.

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Até a próxima!

 

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7 comentários

    1. Olha, depois de ler esse livro eu sou suspeito para falar, mas ler mais de 150 páginas em dois dias já dá uma pista da qualidade desse livro. Eu simplesmente não conseguia desgrudar os olhos e queria continuar lendo para saber da história.
      É um livro realmente muito bom.
      Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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