Cem Gramas de Centeio #4

P_20180309_093656_1.jpgAutor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2015
Páginas: 223

Onde houver uma questão de lucro, toda desconfiança é pouca. O que se deve evitar, a qualquer custo, é confiar demais nos outros.

O que uma velha mina de ouro tem haver com melros e cem gramas de centeio? Para Agatha Christie esse é apenas mais um enredo para uma incrível história de suspense. Acompanhamos o Detetive Neele na solução do caso da morte de Rex Fortescue, um rico investidor que morre envenenando em seu próprio escritório.

Ao tentar solucionar o caso, Neele volta a sua atenção para o Chalé do Teixo, uma belíssima mansão no interior de Londres onde toda a família Fortescue parece ter motivos de sobra para assassinar o patriarca. A começar pela sua segunda esposa, Adele Fortescue, que vinte anos mais nova possui casos extraconjugais conhecidos por todos. Percival é o filho do meio e cuida dos negócios junto com o pai, mas é tão ou mais ganancioso que Rex; Lancelot é o filho mais velho e mora na África Oriental após uma briga e um escândalo anos atrás; e Elaine a mais nova, que apesar de não se envolver nos negócios pretendia casar com Gerald Wright, mas seu pai não autorizou.

Se Rex Fortescue tinha sido deliberadamente envenenado, hipótese agora quase certa, então o ambiente do Chalé do Teixo parecia muito promissor. Motivos era o que não faltava.

Rex havia sido envenenado por taxina, o veneno presente nos frutos do teixo. Ao buscar os possíveis suspeitos, Neele acreditou que Adele Fortescue era a pessoa que teria mais motivos para assassinar Rex, uma vez que seria uma das herdeiras da grande fortuna. Mas como tudo que sólido desmancha no ar, as ideias de Neele viraram pó quando Adele aparece morta dentro da biblioteca que havia no Chalé do Teixo, envenenada por cianureto. Todos os filhos e noras de Rex Fortescue estavam dentro da casa, assim como todos os funcionários. Quase sem saída, Neele suspeita que Gladys Martin, a jovem copeira, guarda alguma informação importante. Neele então procura por Gladys pela casa toda e encontra o seu cadáver junto às roupas no varal. Um detalhe sádico chama a atenção de Neele: Gladys estava com um pregador preso no nariz!

E é então que aparece Miss Marple. O motivo: Gladys Martin havia sido sua empregada anos antes, quando a jovem saiu do orfanato onde morava.

Claro que foi crime. Sempre houve uma porção de gente disposta a matar Rex. Um indivíduo sem o mínimo escrúpulo. E, como diz o ditado, cedo ou tarde se paga pelos pecados cometidos.

Miss Marple se informa dos acontecidos e solicita abrigo no Chalé do Teixo. Aos poucos vai colhendo informações dos habitantes da mansão através de sua cara simpática e de seu jeito de vovó carinhosa. Depois de conhecer os meandros da investigação e juntar algumas peças importantes, Marple relembra uma antiga  canção infantil que seria a chave para desvendar o mistério:

Reparem que canção mais singela:
Com cem gramas de centeio
E vinte melros de recheio
Basta fechar a panela
E esperar que se ponha a cantar.
Uma torta tão bonita não faria o rei vibrar?
Enquanto ele no escritório, o dia inteiro,
Pensa só em ganhar dinheiro,
A rainha na sala sozinha
Come o pão com mel que lhe trazem da cozinha.
A criada, no quintal, estende a roupa, feliz,
Até que um passarinho safado lhe morde o nariz.

Anos antes Rex havia se envolvido em uma mina de ouro na África Oriental que supostamente estava fadada ao fracasso. As coisas pioraram quando Rex se envolveu no assassinato de seu sócio na mina, mas com habilidade e dinheiro conseguiu se livrar. Décadas depois desse acontecimento, alguns melros apareceram mortos no Chalé, o que levou Rex a duvidar do esquecimento desse assassinato. Com a revelação da música por Marple, Neele juntou as pontas soltas e descobriu que a ingenuidade de uma jovem copeira, a audácia de uma jovem governanta e a ganância de um homem com berço de ouro transformaram o Chalé do Teixo em um cenário propicio para três cruéis assassinatos.

Uma história envolvente, com descobertas e reviravoltas incríveis. Padrão Agatha Christie!

Na imagem destacada o quadro Dead Birds de Jan Vonck (1640-1662).

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Até a próxima!

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