Antígona #3

P_20180310_161253_1_1.jpgAutor: Sófocles
Ano: 2005
Páginas: 89
Formato: Epub

Fecundo em seus recursos, ele realiza sempre o ideal a que aspira. Só a morte, ele não encontrará nunca, o meio de evitar!

Sófocles foi um dramaturgo grego e um dos mais importantes escritores de tragédia da Grécia Antiga. Viveu no apogeu da cultura helênica e por quase 50 anos foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos dramáticos da cidade-estado de Atenas. Sófocles competiu em cerca de 30 concursos, venceu 24 deles e, segundo fontes da época, nunca ficou abaixo do segundo lugar. Em sua tragédias, mostra dois tipos principais de sofrimentos: o que decorre do excesso de paixão e o que é consequência de um acontecimento acidental (destino). Sófocles inovou o teatro grego ao reduzir a importância do coro, relegando-o ao papel de observador do drama que se desenrola à sua frente. Antígona é a última obra da Trilogia Tebana, apesar de ser sido a primeira a ser escrita em 442 a.C.

Quando os deuses abalam uma família, o infortúnio se atira, sem descanso, sobre os seus descendentes, tal como as ondas do mar, quando, batidas pela tempestade, revolvem té a areia escura das profundezas do abismo, e as praias gemem com o fragor das vagas que rebentam.

Em Antígona temos o desfecho da Trilogia Tebana. Após a morte de Édipo em Atenas, Antígona e Ismene retornam para Tebas para tentar impedir que Polinices invada a cidade e enfrente Etéocles, um detalhe: os quatro são irmãos, filhos de Édipo. Antígona e Ismene não chegam a tempo e ficam sabendo que a profecia de Édipo teve lugar: Etéocles e Polinices colocaram termo à vida um do outro.

Creonte, o Rei de Tebas, obriga aos seus soldados que enterrem com todas as pompas fúnebres o corpo daquele que tudo fez para a cidade: Etéocles; e que deixem para os cães e abutres o corpo daquele que tentou invadir e destruir Tebas: Polinices. Mas Antígona não consegue suportar a ideia de que o corpo de um dos seus irmãos seja maculado por animais e apodreça ao relento. Imediatamente procura enterrá-lo, mas é capturada pelos soldados de Creonte e levada ao palácio para que sofra as punições determinadas pelo Rei.

Ora, é impossível conhecer a alma, o sentir e o pensar de quem quer que seja, se não o vimos agir, com autoridade, aplicando as leis. Em minha opinião, aquele que, como soberano de um Estado, não se inclina para as melhores decisões, e se abstém de falar, cedendo a qualquer temor, é um miserável! Quem preza a um amigo mais do que à própria Pátria, esse merece desprezo!

Antígona é sentenciada à morte, mas como era noiva do filho de Creonte, Hémon, o Rei muda a sentença para uma morte mais dolorosa. Antígona seria enterrada viva em uma caverna para que morresse de inanição. Hémon ao saber do destino da amada tenta persuadir o pai a ter mais benevolência e menos tirania em suas ações. Mas suas tentativas são em vão. Antígona é levada à caverna, mas quando o Rei recebe as terríveis profecias de Tirésias (o mesmo que apresentou as profecias que levaram Édipo à sua queda) parte com seus soldados para a caverna.

Infelizmente o início de sua maldição tem lugar: Antígona estava pendurada pelo pescoço, se enforcou com as cordas de sua roupa, aos seus pés Hémon suplicava aos deuses pela vida da amada. Ao ver o pai assassino, Hémon não encontra outra saída e se suicida com um punhal. Mas a via crucis de Creonte ainda está longe de ter fim, ao retornar ao palácio fica sabendo que sua esposa Eurídice, quando descobriu que a morte de Hémon tinha sido pelas mãos de Creonte, matou não apenas a si, mas também a seu outro filho Megareu. Resta a Creonte se maldizer pela eternidade.

Todos quantos pensam que só eles têm inteligência, e o com da palavra, e um espírito superior, ah! esses, quando de perto examinamos, mostrar-se-ão inteiramente vazios!

Como diz o último verso do coro: “Não é lícito aos mortais evitar as desgraças que o destino lhes reserva”. E como não sabemos o que o destino nos reserva, cabe a nós, mortais, ter parcimônia no falar, no maldizer e no desejar. Nossos anseios podem nos levar à ruína, principalmente quando estes envolvem a queda de outrem. Antígona queria apenas enterrar o irmão….

Na imagem destacada o quadro de Sébastien Louis Wilhem, Norblin de la Gourdaine, de 1825, intitulado Antigone donnant la sépulture à Polynice. A pintura retrata a tentativa de Antígona de enterrar seu irmão Polinices.

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