Robinson Crusoé #56

P_20180320_075708_1.jpgAutor: Daniel Defoe
Editora: Martin Claret
Ano: 2003
Páginas: 197

Naturalmente, sabia muito bem que a minha situação nada tinha de risonha. Lançado a uma ilha deserta por uma violenta tempestade, que nos tinha afastado muitas e muitas léguas das rotas utilizadas pelos navegantes, não era lógico ter muitas ilusões de que algum barco viesse a fundear naquelas costas. Quando pensava nisso, um grande desespero caía sobre mim e cheguei mesmo a derramar lágrimas.

Uma história de aventura. Assim é Robinson Crusoé. Sempre ouvi que esse livro era de um homem que ficava preso em uma ilha deserta, mas conseguia sobreviver. Então pensava que seria “mais um livro” de sobrevivência. Mas não, Robinson Crusoé é muito mais do que apenas sobrevivência. É um livro sobre a luta interna de um homem para manter a civilidade, para manter vivo a humanidade que tende a se afastar em momentos de solidão extrema. A história se passa no século XVII, no auge das grandes navegações e de mundos ainda não descobertos.

Robinson Crusoé sempre teve um sentimento de que o seu mundo era o mar e por isso se aventurou em uma viagem à costa africana a bordo de um navio inglês. A sua primeira falta de sorte se deu quando o navio em que estava foi interceptado por piratas e ele foi feito de escravo. Depois de anos nessa situação conseguiu fugir e com um pequeno barco se afastou da costa africana. Foi interceptado novamente, mas agora por bons portugueses que estavam a caminho do Brasil. No Brasil, Crusoé fez amigos e conseguiu fortuna com plantações de fumo e de cana de açúcar.

Não há, na vida, situação, por má que seja, que não tenha o seu lado bom.

Mas o mar eras o grande desejo de Crusoé, que depois de vários anos no Brasil, partiu para trocar mercadorias na África. Sob forte tempestade, a segunda falta de sorte de Crusoé aconteceu. O barco ficou dias à deriva e após outra tempestade encalhou. Todos os tripulantes se fizeram ao mar, mas apenas Crusoé conseguiu alcançar a ilha. E na ilha Crusoé viveu 27 anos de sua vida!

Nos primeiros dias ficou claro para Crusoé que ele estava em uma ilha que não fazia parte de nenhuma rota marítima e que por isso a sua estadia seria bem longa. Nos primeiros anos Crusoé conseguiu estabelecer uma caverna como morada e plantar árvores para criar uma proteção para a sua “casa”. Começou a caçar tartarugas e cabras selvagens para se alimentar e iniciou a exploração da ilha toda.

Para dizer a verdade, as minhas perspectivas de voltar ao mundo dos vivos não eram maiores que no dia do meu naufrágio, mas tinha que agradecer a Deus o ter-me feito compreender que era possível ser feliz, mesmo nas circunstâncias em que me encontrava.

Crusoé conseguiu construir mesa, cadeiras, portas. Aprendeu a fazer pão, já que iniciou uma plantação de cevada; fez até roupas com as peles dos animais que ele matava. Até que um dia descobriu que selvagens canibais das ilha vizinhas iam até a sua ilha para festejar e comer os prisioneiros. Crusoé conseguiu salvar um desses prisioneiros e matar alguns canibais. Esse selvagem foi nomeado Sexta Feira, já que foi em uma sexta feira que houve o resgate. Crusoé ensinou o inglês ao selvagem e pôde novamente se comunicar e ouvir a voz humana.

Crusoé e Sexta Feira ainda se envolveram em alguns outros combates com os canibais até que avistaram ao longe um navio inglês. A emoção de Crusoé não tinha tamanho e depois de algumas outras aventuras com os ingleses, e depois de 35 anos longe de casa, Crusoé finalmente retornou para a Inglaterra.

Após a viagem que durou quase seis meses, desembarquei na Inglaterra no dia 11 de junho de 1687, trinta e cinco anos depois de ter me ausentado.

Uma história incrível, contada de uma forma muito clara, sem muitos rodeios e muito dinâmica. A ilha em que Crusoé ficou preso não existe de verdade, no livro ela se situa na foz do Rio Orinoco, no litoral da Venezuela, próxima à ilha de Trinidad. Contudo, a história de Crusoé foi baseada em uma história verídica. O autor teve contato com o capitão que resgatou um marinheiro que havia ficado preso em uma ilha deserta por 4 longos anos. Alexander Selkirk desertou de seu navio e ficou na ilha Más a Tierra na costa do Chile, onde aprendeu a se virar, construindo uma cabana e utensílios de madeira para a sua comodidade. Atualmente essa ilha é conhecida como Ilha Robinson Crusoé.

Na imagem destacada o quadro de Alexander George Fraser, de 1836, chamado Robinson Crusoé explicando as Escrituras para Sexta Feira.

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Até a próxima!

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