The Wall – Disco 2 (1979) – Pink Floyd #14

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1 – Hey You – (Waters) – 4:40
2 – Is There Anybody Out There? – (Waters) – 2:44
3 – Nobody Home – (Waters) – 3:26
4 – Vera – (Waters) – 1:35
5 – Bring the Boys Back Home – (Waters) – 1:21
6 – Comfortably Numb – (Gilmour, Waters) – 6:24
7 – The Show Must Go On – (Waters) – 1:36
8 – In the Flesh – (Waters) – 4:13
9 – Run Like Hell – (Gilmour, Waters) – 4:19
10 – Waiting for the Worms – (Waters) – 4:04
11 – Stop – (Waters) – 0:30
12 – The Trial – (Bob Ezrin, Waters) – 5:13
13 – Outside the Wall – (Waters) – 1:41

The Wall é um dos álbuns mais intrigantes e imaginativos da história do rock. Desde o lançamento do álbum de estúdio em 1979, a turnê de 1980-81, e o filme subsequente de 1982, The Wall se tornou sinônimo, se não a própria definição, do termo “álbum conceitual”. Surpreendentemente explosivo no registro, incrivelmente complexo no palco, e visualmente dinâmico na tela, The Wall é uma ópera rock centrada em Pink, um personagem fictício baseado em Waters. As experiências de vida de Pink começam com a perda de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, e continuam com a ridicularização e o abuso de seus professores, com sua mãe super protetora e, finalmente, com o fim de seu casamento. Tudo isso contribui para uma autoimposta isolação da sociedade, representada por uma parede metafórica, um muro, levando a um clímax que é tão catártico quanto destrutivo. The Wall é certamente um marco musical digno do título de “arte”. Nesse post você pode acompanhar o disco 1.

The Wall é simultaneamente uma obra de muita subjetividade e muita objetividade. Além da dissecação da consciência humana de Floyd, esse disco é uma obra de protesto contra o mundo e suas convenções sociais, uma severa crítica as pessoas que o formam. Waters definiu bem cada fator que influenciou na construção desse muro, fatores internos e externos. O Governo e a guerra lhe tiraram o pai, sua mãe aprofundou seu isolamento com sua superproteção, a escola alienou todos a sua volta, e a mulher o traiu por causa do desinteresse.
Para Floyd, o mundo estava errado. Mas para o mundo, quem estava errado era Floyd. E quem nunca se sentiu diferente quando todos pensam da mesma forma?

Músicas

Is There Anybody Out There?

Floyd se sentindo mais sozinho do que nunca, essa música com apenas uma frase exprime todo o anseio dele em querer se comunicar, de demonstrar seus sentimentos. “Tem alguém aí fora?”, um pedido, uma súplica desesperada de alguém solitário.

Nobody Home

Seguindo a mesma ideia de viagem ao mundo interior de Floyd, essa música é uma espécie de jornada em sua memória. A voz de Waters tem o tom certo de melancolia.

I’ve got wild staring eyes / I’ve got a strong urge to fly / But I’ve got nowhere to fly to

Vera

Só para contextualizar, a dita Vera Lynn na música foi uma cantora inglesa que virou ícone na época da 2ª guerra mundial. A música reproduz uma das suas mais famosas canções, We’ll Meet Again. Essa música foi composta em 1942, em plena 2ª Guerra Mundial, e de imediato ganhou um apelo entre as pessoas que tinham alguém querido distante, sem saber ao certo como tudo aquilo terminaria. O pai de Waters morreu na 2° guerra, o que entra em contraponto com a mensagem de esperança deixada na musica de Vera. Essa esperança já está perdida. Esse é o canto da desesperança.

Bring the Boys Back Home

No filme The Wall essa música é representada num flashback de Floyd, que se vê em uma estação ferroviária, onde desembarcam diversos soldados vindos da Guerra, e vários entes queridos destes soldados prontos para uma calorosa recepção. Floyd fica na estação de trem na expectativa de seu pai estar lá, mas ele não aparece, a estação se esvazia e ele fica sozinho. Um coro entoa essa canção, representando as várias vozes que desejam apenas que os garotos retornem para casa.

The Show Must Go On

Essa música é o retrato da falta de esperança de Waters frente ao seu público, sentimento que o levaria a ideia de construir um muro entre a banda e a audiência. Uma balada simples na voz de Gilmour, mas com um tom profundo e direto.

There must be some mistake / I didn’t mean to let them / Take away my soul

In the Flesh

Depois de ter chega ao fundo do poço, uma personalidade mais obscura e odiosa se aflora em Floyd fazendo com que ele se torne uma outra pessoa. A sua personalidade é representada metaforicamente como a de um nazista, e o discurso de ódio pode ser claramente ouvido na letra que assim como a melodia é pesada.

Get him up against the wall / That one looks Jewish / And that one’s a coon

Run Like Hell

O ódio continua a mostrar suas garras. Riffs de guitarra prenunciam uma fuga. Floyd está fugindo de si mesmo, de todos os seus sentimentos. Essa corrida metafórica está ligada ao suicídio, a única fuga possível para os desesperados como Floyd.

Waiting for the Worms

E se Floyd estava fugindo da vida, essa canção é como uma espera pela morte, considerando o processo de decomposição do corpo, onde os vermes vem se alimentar dos cadáveres. Isolado em seu mundo dentro do muro, não lhe resta muito o que fazer a não ser esperar pelos vermes, esperar pela morte. A música traz passagens pesadas sobre o holocausto e sobre como as pessoas estiveram apenas esperando.

Waiting for the final solution / To strengthen the strain / Waiting to follow the worms
Waiting to turn on the showers / And fire the ovens

Stop

O muro é mais forte e Floyd se cansa de lutar. Em seu devaneio, ele é preso por ser nazista, mas na vida real o guarda o encontra cansado do show e sentado no canto de um sanitário, bebericando um pouco da água da privada. Ele só quer que a tristeza e a angústia parem.

The Trial

Imaginamos os padrões de aceitação da sociedade como um círculo, todos dentro desse círculo são pessoas normais, e qualquer um que esteja fora desse círculo deveria ser surrado, quebrado, refeito e trazidos de volta para dentro do circulo. Uma padronização dos sentimentos e dos pensamentos. Foi escrita a muito tempo por um Waters melancólico e desiludido, mas bem que poderia ter sido escrito ontem. A música é como um desenho animado, cheio de vilões e imagens assustadoras.

The prisoner who now stands before you / Was caught red-handed showing feelings
Showing feelings of an almost human nature

Outside the Wall

Floyd finalmente está fora do muro (teria ele morrido?) e consegue enxergar as outras pessoas. A serenidade da canção mostra que Floyd finalmente encontrou a paz que almejava.

Clássica

Hey You

Nela, vemos um pedido de ajuda, uma necessidade de atenção especial, pois sozinho ele se dá conta que não consegue se libertar do muro. A música de abertura do disco é como um chamado. Um chamado a lutar contra uma força muito maior, mais nociva e mortal. O solo de guitarra é um dos mais conhecidos da banda. Um clássico, definitivamente.

Comfortably Numb

Essa música é o limite máximo da tristeza, a depressão em seu cúmulo.
Não há nada mais o que se fazer, só lhe resta desistir, nada mais importa, você se torna aqui um ser sem vida, incapaz de se comunicar. A conformidade com os fatos e com a realidade é de certa forma um suicídio, você é incapaz de reagir ao meio externo, e passa a literalmente estar morto em vida. O jogo de duas vozes, uma mais sombria e outra mais clara, mostra a dualidade do homem, preso em sua própria prisão chamada mente. De um lado uma voz dizendo para você se entregar, se corromper. De outro lado uma voz mais clara dizendo para você continuar, se manter no caminho certo. O vencedor dessa disputa é único para cada um. Na minha opinião uma das músicas mais sensíveis da banda.

I have become comfortably numb

Abaixo a versão dessa música no último encontro dos 4 integrantes da banda. Um momento épico para os fãs.

Na imagem destacada o quadro The torments of Job under a swirling sky dominated by God, do pintor Maerten van Heemskerck, de 1563.

Até a próxima!

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