Quando as Pombas Desapareceram #60

P_20180601_165816_1_1.jpgAutora: Sofi Oksanen
Editora: Record
Ano: 2016
Páginas: 347

 

“A impressão era de que nada do que havia acontecido fora de fato real, mesmo que o cheiro de morte não tivesse saído das minhas mãos, ainda que eu as tivesse lavado por um longo tempo em um riacho pelo qual passamo por acaso. As linhas na palma da minha mão – da vida, do coração e da cabeça – ainda estavam em um tom marrom-escuro, o sangue seco penetrava mais profundamente na carne, e eu continuava em frente, de mãos dadas com os mortos.”

A Estônia é um dos três Países Bálticos, situado na Europa Setentrional, constituído por uma porção continental e um grande arquipélago no mar Báltico. A Estônia passou por um período de independência após a Revolução Russa de 1917, mas que só durou até 1940, quando em decorrência de uma artimanha soviética, a Estônia foi ocupada pela URSS. Em 1942, os alemães invadiram a União Soviética e também a Estônia. Naquele primeiro momento, o povo estoniano ficou contente, devido à antiga aproximação com os alemães e também por sonhar com a volta da Estônia independente, fato que logo foi descartado pelo governo de Adolf Hitler. Quando a invasão alemã na URSS fracassou e os alemães saíram da Estônia, a nova invasão soviética se mostrou inevitável, devido ao desgaste do país na guerra. Essa última invasão soviética durou até 1992, quando finalmente a Estônia se tornou um país independente. Esse livro retrata uma história ocorrida entre os anos de 1941 e 1966.

Havia outra razão também pelas quais eu tinha partido tão avidamente, deixando os outros se preparando para a próxima batalha: os aliados alemães já haviam despertado minhas dúvidas antes.

O livro é centrado em 3 personagens principais: Roland; Edgar, primo de Roland; Juudit, esposa de Edgar. Durante a invasão alemã, Roland e Edgar se juntam à guerrilha estoniana para expulsar os soviéticos. Roland se mostra um bravo soldado, mas Edgar se apresenta como um grande covarde. Após a vitória alemã, o retorno dos soldados às suas casas é permeado pelo medo de serem alistados no Exército Alemão. Roland e Edgar, então, decidem retornar para uma casa na área rural, onde Roland encontra-se com sua noiva Rosalie, com sua mãe e sua tia que vivem na casa. A esposa de Edgar, Juudit não está lá porque Edgar não deu notícias de que estava vivo e algumas suspeitas de Roland já começam a aparecer.

Edgar muda o seu nome para Fürst e começa a trabalhar para os alemães. Seu trabalho: identificar e entregar os judeus da capital Talin às autoridades alemãs, mas sempre que pode retorna à casa no campo para manter todos informados. Quando Rosalie o ameaça de informar à Juudit de seu paradeiro, Edgar a mata, mas arquiteta uma cena para parecer suicídio. Mas a aproximação dos soviéticos, novamente, muda o panorama da história.

O Exército Alemão me alistaria imediatamente em suas fileiras, assim como a Edgar, que, pelo que se aprendia de suas histórias, não parecia entender a situação. A guerra não havia acabado.

Juudit, diante da falta de informações sobre Edgar decide seguir sua vida. As lembranças de seu casamento e principalmente da falta de relações íntimas com Edgar levaram-na a esquecê-lo. Juudit se aproxima de um Capitão da SS e nutre por ele uma imensa paixão. Mas com a aproximação dos russos e a descoberta de que Juudit estaria trabalhando para os soviéticos, seu amado alemão a abandona à própria sorte e parte para Berlim. Juudit cai em mãos russas e é enviada para a Sibéria.

Ainda sob o domínio alemão, Roland é enviado para o campo de concentração de Klooga, mas consegue fugir antes da chegada dos soviéticos e some para poder sobreviver. Edgar também é enviado para Klooga, mas consegue queimar a sua identidade alemã e se apresenta ao Exército Vermelho como um colaborador soviético, se tornando o camarada Parts. Agora a sua função é apontar e entregar aqueles que durante a ocupação alemã ajudaram os alemães. Mas para apagar o passado um nome ainda o incomoda: Roland.

Às cinco da tarde, o assassinato sádico de bravos cidadãos soviéticos teve início. As vítimas recebiam ordens para se deitar sobre as toras com o rosto para baixo. Então, eram executadas com um tiro na nuca.

Edgar consegue juntar peças e depois de quase 20 anos de procura, descobre Roland vivendo sob o nome de Mark Kask. Era a informação que faltava para entregar o seu último relatório: Mark Kask é o assassino de Klooga que dizimou centenas de camaradas soviéticos, a mando dos alemães. No fim descobrimos que a ajuda de Edgar aos soviéticos tinha como objetivo apagar não apenas o seu passado, mas também apagar os seus motivos.

O livro tem uma história muito boa, mas a autora abusa de longas passagens sobre lugares e pessoas que nada acrescentam ao livro. Peca pelo excesso de informação desnecessária. Mas a história consegue segurar o leitor até o final.

Na imagem destacada o quadro Estonian rural life do pintor Gregor von Bochmann, de 1930.

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Até a próxima!

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