A Tempestade #7

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Autor: William Shakespeare
Formato: Epub
Páginas: 68

Calibã – Não tenhas medo; esta ilha é sempre cheia de sons, ruídos e agradáveis árias, que só deleitam, sem causar-nos dano. Muitas vezes estrondam-me aos ouvidos mil instrumentos de possante bulha; outras vezes são vozes, que me fazem dormir de novo, embora despertado tenha de um longo sono. Então, em sonhos presumo ver as nuvens que se afastam, mostrando seus tesouros, como prestes a sobre mim choverem, de tal modo que, ao acordar, choro porque desejo prosseguir a sonhar.

Essa obra é considerada a última escrita pelo dramaturgo William Shakespeare. Como em outras obras suas, Shakespeare adaptou diversas histórias para criar essa. Nesse caso específico não existe uma única fonte, mas segundo estudiosos enxergam alguns paralelos com o Naufragium de Erasmo de Roterdã e De orbe novo de Peter Martyr. Além disso, uma das falas de Gonçalo foi derivada do ensaio Sobre os Canibais de Montaigne e boa parte do discurso de renúncia de Próspero é uma citação literal de uma fala de Medeia no poema Metamorfose de Ovídio. Nem por isso, A Tempestade deixa de ser um excelente texto.

Quem morre, salda as dívidas.

A história passa-se numa ilha remota, onde Próspero, duque de Milão por direito, planeja restaurar a sua filha, Miranda ao poder utilizando-se de ilusão e manipulação. Próspero e Miranda foram deixados à deriva por Antônio, usurpador do trono e irmão de Próspero, e chegaram em uma ilha. Nesta ilha vivia uma bruxa e seu filho Calibã, metade homem, metade besta. Com a morte da bruxa, Calibã se tornou o lacaio de Próspero, assim como um espírito servil e assexuado que pode se metamorfosear em ar, água ou fogo de nome Ariel.

Próspero então invoca, junto a Ariel, uma enorme tempestade, visando atrair Antônio e seu cúmplice, o rei Alonso de Nápoles, para a ilha. O navio naufraga próxima à ilha e Ariel adormece a tripulação do navio além de separar Antônio e Alonso, no intuito de levá-los à insanidade mental, de Ferdinando, filho do Rei Alonso, para que ele conheça e se apaixone por Miranda.

Ferdinando – A morte de meu pai, a fraqueza que sinto, num naufrágio perdidos os amigos, as ameaças deste senhor, de quem sou prisioneiro, tudo eu suportaria, se pudesse, uma só vez ao dia, de meu cárcere contemplar esta jovem. Que me importa que em todo o vasto mundo a liberdade possa encontrar guarida? Assaz espaço terei nesta prisão.

Na ilha, sob os encantamentos de Ariel, Ferdinando se apaixona perdidamente por Miranda e Próspero encaminha o seu retorno à corte milanesa. Mas a vingança de Próspero ainda não estava concluída e, novamente com a ajuda de Ariel, revela a natureza vil de Antônio, provocando a redenção do Rei. Quando o seu plano está finalizado, Ariel ganha liberdade, Calibã se torna escravo de si mesmo após conhecer os poderes inebriantes do vinho, e Antonio fica esquecido na ilha.

A Tempestade é uma história de vingança, é uma história de amor, é uma história de conspirações oportunistas e é uma história que contrapõe a figura disforme, selvagem e pesada dos instintos animais que habitam o homem à figura incorpórea, espiritualizada de altas aspirações humanas, como o desejo de liberdade e a lealdade grata e servil. É uma história de dor e reconciliação.

Antônio – Ora, senhor! Onde é que há isso? Se fosse uma frieira, obrigar-me-ia a calçar as chinelas; mas no peito não sinto essa deidade. Se coubessem entre mim e Milão vinte consciências poderiam gelar e derreter-se, sem que me molestassem. Ali se acha vosso irmão. Em verdade, não valerá mais do que a terra sobre que repousa, se fosse o que parece ser; defunto, sendo que eu poderia facilmente, com este aço obediente – usando apenas três polegadas dele – para sempre deixá-lo preso ao leito.

A julgar pelos seus habitantes bem poderíamos fazer uma ligação da ilha com o Inferno. Com Próspero como Lúcifer e seus planos malignos; Ariel incorporando a maldade; Calibã como a bestialidade e Miranda representando os desejos carnais. O naufrágio do navio condiz com a morte de seus tripulantes e todos eles possuem pecados a serem purgados: Antônio é a inveja; Gonçalo e Sebastião a gula e a preguiça; Alonso a soberba e Ferdinando a luxúria. As maquinações de Próspero e Ariel ludibriam Ferdinando e Alonso; Calibã acorrenta os bêbados Gonçalo e Sebastião e Alonso sucumbe às suas vontades de poder. Este seria o inferno segundo William Shakespeare?

Shakespeare nos trazendo, sempre, grande pensamentos e reflexões.

Na imagem destacada o quadro de Angelica Kauffmann, Scene with Miranda and Ferdinand, de 1782.

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Até a próxima!

 

 

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4 comentários

    1. Eu não senti muita dificuldade na leitura não. O livro é pequeno, mas requer atenção. Senão corre-se o risco de não saber em que momento a história está. Não dá para se perder com personagens ou locais porque os atos e as cenas contêm uma pequena introdução.
      Vale a pena a leitura.
      Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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