O Silêncio dos Inocentes #2

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Autor: Thomas Harris
Editora: Record
Ano: 2007
Páginas: 251

“A vida é escorregadia demais para os livros, Clarice; a raiva parece luxúria, o lúpus apresenta-se como uma urticária.”

Esse é o segundo livro da trilogia “Hannibal” e para mim foi uma leitura bem peculiar. O principal motivo é que a leitura veio acompanhada das imagens do filme, que assisti há alguns anos. E apesar de ser um assunto bastante debatido, a leitura do livro foi em certa medida facilitada. Nos momentos em que o livro discorria sobre os diálogos entre Lecter e Starling ficava bem claro na minha mente as cenas do filme. Apesar da literatura conter muito mais possibilidades estruturais do que um filme, ver o filme tornou essa leitura mais “saborosa”.

Nesse livro o superintendente Crawford agora está seguindo pistas para capturar outro serial killer, conhecido como Buffalo Bill. Com os corpos de jovens mulheres aparecendo nos rios de diversas cidades, ele acaba recorrendo a uma das melhores alunas da academia do FBI para ajudá-lo. Seu nome: Clarice Starling.

A cela do Dr. Lecter ficava bem separada das outras, de frente para um armário embutido, e era especial também sob outros aspectos. A parte da frente era composta por barras, mas por trás das barras, a uma distância maior que o alcance de um braço humano, havia uma segunda barreira, uma forte rede de náilon estendendo-se do chão ao teto e de parede a parede. Por trás da rede, Starling pôde ver uma mesa aparafusada ao chão, em cima dela uma grande pilha de livros em brochura e jornais, e ao lado uma cadeira de espaldar reto, também aparafusada ao chão.

A missão de Clarice era fazer uma entrevista com o Dr. Hannibal Lecter no manicômio/cadeia estadual de Baltimore e literalmente pedir ajuda no direcionamento da investigação. Como Lecter já havia despachado inúmeros outros investigadores, Crawford achou melhor enviar “carne nova”. E logo Clarice descobriu porque Lecter vivia isolado. Seus jogos mentais, suas palavras calmamente pronunciadas, fizeram Clarice se sentir nua diante de uma mente tão poderosa. Mas a sua forte personalidade a fez se manter firme e a trocar informações pessoais por qualquer coisa sobre os assassinatos.

As pistas de Lecter a levaram a um carro abandonado com uma cabeça dentro de um vidro, o que só tornava as coisas mais difíceis. Porém, quando Clarice foi convidada por Crawford a acompanhar a autópsia da última vítima de Buffalo Bill, algo misterioso apareceu. A vítima possuía um casulo dentro de sua garganta.

Starling estudara psicologia e criminologia numa boa escola. Durante a vida pudera observar algumas das horríveis e precipitadas formas com que o mundo destrói as coisas. Mas realmente não tinha jamais imaginado que às vezes os seres humanos produzem, atrás de um rosto com aparência humana, uma mente cujo prazer era aquilo que jazia na mesa de porcelana em Potter, West Virgínia, na sala forrada de papel decorado com rosas. Seu primeiro encontro com uma mente daquele tipo chocou-se mais do que qualquer coisa que pudesse ver em mesas de autópsia. Tal conhecimento ficaria entranhado na sua pele para sempre, e ela sabia que tinha de criar uma crosta ou aquilo a penetraria.

O livro começa a ficar tenso quando passamos a acompanhar a vida do assassino, chamado Jame Gumb. Enquanto Clarice e Crawford estão completamente perdidos, seguindo pistas falsas, Gumb sequestra a filha de uma senadora. O desespero da jovem, jogada no fundo de um poço, e as motivações de Gumb para os assassinatos e o fato de que o FBI não consegue uma pista concreta, colocam o leitor diante de um turbilhão de sentimentos.

Lecter solicita uma viagem para poder falar pessoalmente com a senadora sobre o paradeiro de sua filha, mas o nome é falso e ele é levado para uma cela dentro do prédio da polícia local. Ao mesmo tempo, Clarice observa que Lectar deixara algumas anotações para ela no inquérito de Buffalo Bill e ela parte, desesperançosa, para onde a primeira vítima apareceu. Ao conversar com os pais e com os amigos da jovem assassinada, Clarice acaba descobrindo uma leve ligação das vítimas com os locais onde trabalhavam e com as marcas de roupa que usavam e traça uma teia de informações até chegar à casa da empregadora da primeira vítima. Local onde Jame Gumb mantinha a filha da senadora refém, e onde dentro de poucas horas iria fatiar a jovem para fazer um colete dos seios dela.

Ao mesmo tempo em que a operação se desenrolava na casa de Jame Gumb, Hannibal Lecter empreendia uma das fugas mais inteligentes da história. Através de uma pequena chave feita de uma ponta de clip e do corpo de uma caneta, ele consegue se soltar das algemas, matar dois policiais e sair do prédio repleto de policiais dentro de uma ambulância. Depois de se desfazer da viatura e de seus ocupantes, ele parte para uma vida de liberdade. Ao mesmo tempo, Clarice recolhe os louros do resgate da jovem, mas logo recebe uma carta de Lecter informando-a de que agora ele está livre.

O Dr. Lecter se divertia – tinha vastos recursos internos e podia entreter-se por anos a fio. Seus pensamentos não eram mais tolhidos por medo ou por bondade do que os de Milton pela Física. Em sua mente ele era livre.

Um livro repleto de ação e de diálogos inteligentes. Um roteiro perfeito para um terceiro livro.

Na imagem destacada o quadro de Ticiano, intitulado A Esfola de Mársias, realizado entre 1570-1575. O quadro é citado no decorrer do livro por Hannibal Lecter.

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Até a próxima!

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