Hannibal #3

IMG-20180829-WA0007_1_1.jpg

Autor: Thomas Harris
Editora: BestBolso
Ano: 2012
Páginas: 445

“O Dr. Lecter colocou os miolos fritos sobre torradas largas em cima dos pratos aquecidos, e cobriu com molho e fatias de trufa. Uma guarnição de salsa e alcaparras inteiras, com os cabinhos, e uma flor de nastúrcio sobre um ramo de agrião, para ficar mais alto, completava a apresentação do prato.”

A conclusão sensacional da história de Hannibal Lecter e Clarice Starling. Um livro cheio de reviravoltas e de muita ação. Novamente, assistir ao filme antes de ler o livro ajudou na imaginação das cenas e dos personagens. Ao invés de me sentir aprisionado ao Hannibal de Anthony Hopkins, me senti livre para imaginá-lo falando e interagindo dentro da história. O filme segue o enredo do filme até o final, mas o final do livro, na minha opinião é muito melhor. Apesar dos outros dois livros serem histórias fechadas, vale a pena relembrar a história até aqui. (Dragão Vermelho e O Silêncio dos Inocentes).

Começamos com uma agente Starling 7 anos após a captura de Jame Gumb, o serial killer que havia sequestrado a filha de uma senadora. Agora, Starling era cada vez menos chamada para a ação. Ela era utilizada apenas em situações extremas, como a que se apresentava: a captura da chefe do tráfico de drogas da cidade, que vivia rodeada de capangas extremamente violentos e altamente armados. O desfecho da ação são cinco policiais mortos, além da mafiosa. Não bastasse as mortes dos colegas, Starling teve que responder porque atirou contra uma mulher que carregava um bebê no colo, mesmo que essa mulher estivesse portando na outra mão uma metralhadora. Starling perdeu suas credenciais e sua arma do FBI e foi colocada de licença forçada. Seu mundo estaria desabando se uma carta de Hannibal Lecter não a colocasse de volta ao jogo.

Starling está só de meias, calcinha e um .38 especial com percursor blindado fixo num coldre de tornozelo. Há hematomas lívidos nas suas costas, nas costelas, e uma abrasão no cotovelo. O olho e a bochecha do lado direito estão inchados.

Somos levados à Florença, onde o novo curador do museu da cidade passará por uma sabatina. O novo curador. Sr. Fell, dominava o latim e o italiano antigo, além de ser um alto conhecedor da arte italiana medieval. Um homem acima de qualquer suspeita, a não ser pelo repentino desaparecimento do antigo curador. Rinaldo Pazzi, detetive italiano, está investigando o caso e, por acaso, descobre a verdadeira identidade do Dr. Fell: ele é na verdade Hannibal Lecter, procurado pelo FBI e com uma recompensa milionária oferecida por Mason Verger.

O caso de Verger e Lecter faz parte das memórias dos dois. Paciente de Lecter, Verger possuía um desejo extremo pelo Doutor. O ápice se deu na mansão de Mason, mas Lecter o drogou e o induziu a fatiar o rosto com um pedaço do espelho e dar de comer aos seus cães. Durante todo o espetáculo mórbido, Lecter apenas ria, deleitando-se com a sordidez da cena. Verger milagrosamente sobreviveu e não passa de um monstro sem rosto preso a uma cama. Mas com se dinheiro, Verger acredita que pode comprar tudo e todos para se vingar de Lecter.

Mason Verger, sem nariz e sem lábios, sem tecido mole sobre o rosto, era todo dentes, como uma criatura do oceano profundíssimo. Habituados como estamos às máscaras, o choque de vê-lo é retardado.

Rinaldo Pazzi tenta capturar Lecter em Florença, mas falha e acaba pendurado pelas tripas na praça da cidade. Lecter decide fugir e volta para Maryland, a poucas quadras da mansão de Verger. Ao mesmo tempo, Clarice passa por momentos de grande introspecção, principalmente ao descobrir que estava sendo traída pelo próprio chefe do FBI. Clarice tenta, então, entrar na cabela de Lecter e supõe que os gostos extravagantes acabarão por desmascará-lo. Os capangas de Verger conseguem capturar Lecter, mas no momento em que ele teria os pés comidos pelos porcos, a arma de Clarice volta a funcionar, e num arranjo improvável ela salva Lecter de Verger, mas acaba sendo atingida e fica sob os cuidados de Hannibal.

E o final do livro se afasta do filme. No filme Lecter acaba fugindo sozinho após decepar a própria mão presa à Clarice. No livro, Lecter passa a cuidar dos ferimentos de Clarice e a tratá-la como um cavalheiro que é. Os gostos refinados, o amor pela boa cozinha, a apreço ao um bom vinho, e a estranha proximidade entre as trajetórias de Clarice e Hannibal cria nos dois uma relação de complemento mútuo. São vistos pela última vez, juntos em uma ópera na Argentina. Ele, após a terceira plástica, e ela com os cabelos descoloridos em um vestido longo vermelho. Mas como o próprio autor fala: “Só podemos ficar sabendo até certo ponto, e sobreviver.”

Para Lecter o ar era pintado com perfumes tão distintos e vívidos quanto cores, e era capaz de identificá-los em camadas como se fossem veladuras num quadro. Algumas vezes o Dr. Lecter tinha a ilusão de que podia sentir cheiro com as mãos, os braços e as bochechas, que o odor o envolvia. Que podia sentir cheiro com o rosto e o coração.

Na imagem destacada o quadro Ancient of Days, de William Blake de 1794.

Indico o filme Hannibal, de 2001, com: Anthony Hopkins, Julianne Moore e Gary Oldman.

Comprar:

Amazon

Até a próxima!

Anúncios

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s