Confie em Mim #65

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Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2012
Páginas: 300

 

“A confiança é assim. Podemos quebrá-la pelos melhores motivos do mundo, mas ela permanecerá quebrada para sempre.”

 

 

 

Esse é o primeiro livro de Harlan Coben publicado aqui no blog. O autor é conhecido pelos livros de suspense/mistério, e já teve vários livros lançados no Brasil. Apesar de não levar muita fé na história no início, confesso que fiquei extremamente motivado a ler o desfecho do livro o mais rápido possível.

O livro conta a história da família Baye, de Nova York: o casal Mike e Tia e os filhos Jill, de 9 anos e Adam de 16. Essa família é o núcleo central do livro, mas a gama de personagens é enorme, sem que o enredo fique confuso. Com o desenrolar da história, tudo vai se encaixando e a trama vai ficando muito boa.

Ela fez que sim com a cabeça e seu rosto mudou um pouco. Num jogo de pôquer essa simples nuança seria uma dica. É o que acontece nos casamentos duradouros: a certa altura os parceiros começam a ler os pensamentos um do outro, ou param de tentar escondê-los. Mike sabia que a notícia que estava por vir não seria nada boa.

Adam é um adolescente como todos: rebelde; distante da família, apesar da excelente criação; metido em encrencas que acredita que pode resolver sozinho. Mas a sua vida muda completamente quando um de seus amigos, Spencer, se suicida se jogando do teto da escola. A partir desse momento Adam se afasta de vez da família e Mike e Tia só encontram uma única saída: espionar o computador de Adam. E o que descobrem muda tudo.

Adam está envolvido com o comércio ilegal de remédios controlados, facilitado pelas receitas que o seu pai, médico, tem em casa. Ele se envolve com um Club no Bronx onde os remédios são comercializados e utilizados como alucinógenos. Para salvar seu filho, Mike Baye fará de tudo. Mas ao mesmo tempo em que essa história se desenrola, outros pequenos arcos são construídos.

Todas as casas tinham sua tragédia particular. Todas as famílias tinham os seus mistérios.

Um deles conta a história de Yasmim, uma menina vizinha da família Baye, que acaba sendo vítima de bullying praticado pelo próprio professor Joe Lewinstone. A partir de então seu pai, o policial Guy Novak, tenta encontrar uma maneira de vingar a filha.

Outra história apresenta Betsy e Ron Hill, pais de Spencer, o menino que se suicidou na escola. Betsy não aceita a morte do filho e decide descobrir o que de fato aconteceu naquele fatídico dia. Acaba encontrando uma foto tirado horas antes do suicídio: seu filhos Spencer estava ao lado de Adam Baye!

E o outro arco conta a vida de Nash e Pietra, um casal que está junto pela vingança: ela usou Nash para se vingar daqueles que mataram sua família; Nash usa Pietra para vingar a morte de sua esposa Cassandra. Através de muita violência, Nash mata duas mulheres até receber um recado de seu ex-cunhado Joe Lewinstone, pedindo para que ele resolva o problema de um pai que está incomodando sua família.

Por que nós, humanos, nunca aprendemos as lições que deveríamos aprender? O que haverá na nossa índole que, na verdade, nos empurra para aquilo que deveríamos repelir?

O encontro de todas essas história no final é eletrizante. Todas elas terminam ao mesmo tempo e o leitor não sabe em qual ele fica mais atento. Mas acima de tudo, o livro conta histórias de confianças quebradas, e de como essa confiança jamais será refeita. Como um vaso de porcelana que quebrou e foi colado novamente, a confiança nunca será a mesma. Mostra também que crianças podem ser muito mais espertas do que imaginamos e que a mensagem: “guarde melhor suas armas”, tanto físicas, quanto mentais, serve para todos.

Na imagem destacada o quadro Alexander the Great Demonstrating His Trust in His Physician, Philip of Acarnania, de Benjamin West – 1771.

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Até a próxima!

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5 comentários

    1. Tem razão. A venda de medicamentos controlados sem receita é um absurdo, pois se existe um controle é porque o uso do medicamento é restrito.
      Conheço alguns casos onde jovens tomam um remédio controlado para aumentar a concentração, uma situação de muito risco.
      Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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