Hora Zero #6

Autor: Agatha Christie
Editora: Record
Ano: 1985
Páginas: 159

O Superintendente Battle olhou aguçadamente para todos os rostos virados em sua direção. Ele os estava analisando de acordo com o seus próprios métodos. Se soubessem… certamente ficariam surpresos com seu julgamento: era uma visão severa e cheia de preconceitos. Apesar da lei considerar a pessoa inocente até prova em contrário, o Superintendente Battle sempre considerava toda e qualquer pessoa envolvida num caso de homicídio como um assassino em potencial.

Mais um grande suspense policial de Agatha Christie. Nesta obra o principal detetive é o Superintendente Battle, um dos famosos personagens da autora. Battle, diferentemente de Miss Marple e Hercule Poirot, tem como principal característica o método de investigação. Para ele todos são suspeitos e as provas irrefutáveis indicam e entregam o culpado pelo crime. Ele não dá espaço para conversas que fogem ao assunto principal e a sua astúcia investigativa o leva sempre para o caminho da solução.

A fim de alcançar o propósito, o plano estava sendo cuidadosamente traçado no papel. Cada possibilidade e cada eventualidade estavam sendo consideradas. Tinha que ser absolutamente seguro. O esquema, como todo bom esquema, não estava completamente estabelecido. Contudo, as parte principais estavam claras e haviam sido cuidadosamente testadas. A hora … o lugar … a maneira … a vítima …

Os personagens da trama vão sendo pouco a pouco sendo desnudados. Primeiro Neville Strange e sua segunda esposa Kay. Ele esportista famoso na Inglaterra e ela uma jovem fútil atrás de grana. Além disso, há Ted Lartimer, amigo pessoal de Kay que acompanha o casal para todo lado, um tipo bon vivant que adora gastar o dinheiro de suas companheiras. Neville organiza uma viagem tradicional à casa de Lady Tressilian, uma rica idosa que passa os últimos dias de vida em sua mansão no interior da Inglaterra. A viagem seria tranquila, como todo ano, mas dessa vez a ex-esposa de Neville, Audrey estará durante o mesmo período na casa de Lady Tressilian.

Não bastasse esse cenário, o enteado de Tressilian, Thomas Royde, estará em visita depois de mais de 10 anos morando na Malásia. Além disso, Mary a governanta cuida dos empregados que se restringem à uma cozinheira, uma copeira, Hurstall, o mordomo e Barrett a cuidadora de Lady Tressilian.

Às vezes fico imaginando o que se passa por trás da sua fisionomia impassível. Uma vez ou outra, sinto que existe uma emoção forte. Mas não sei bem qual é. Sei apenas que ela não é normal. Há algo estranho, e isto me preocupa. Alguma coisa no ambiente daquela casa afeta as pessoas.

Com todos em casa, o clima fica extremamente pesado. Neville tenta a todo momento uma reaproximação com Audrey. Kay não suporta ver as cenas entre os dois e tem um acesso de raiva diante de todos. Thomas Royde mais parece uma assombração, sempre pelos cantos fumando seu cachimbo e nunca revela o motivo de sua visita. A inválida Lady Tressilian mesmo sem sair da cama acompanha tudo o que se passa em sua casa e está avessa ao reencontro de Audrey com Neville.

Então, o assassinato ocorre: Lady Tressilian amanhece morta com o crânio fraturado por um golpe muito forte. São encontrados na cena do crime: o terno de Neville ao lado de seu taco de golfe sujo de sangue. Quando Battle é chamado, todas as provas apontam para Neville, que busca provar sua inocência mesmo contra todas as evidências.

O Superintendente Battle olhou aguçadamente para todos os rostos virados em sua direção. Ele os estava analisando de acordo com o seus próprios métodos. Se soubessem… certamente ficariam surpresos com seu julgamento: era uma visão severa e cheia de preconceitos. Apesar da lei considerar a pessoa inocente até prova em contrário, o Superintendente Battle sempre considerava toda e qualquer pessoa envolvida num caso de homicídio como um assassino em potencial.

Mas como o próprio Battle diz, o assassinato começa muito antes do ato em si. E toda a trama vem à tona quando um homem chamado MacWhirter conta uma breve história à Battle. MacWhirter tentou o suicídio no penhasco próxima à mansão de Lady Tressilian no verão anterior, mas como foi salvo voltou ao mesmo lugar para analisar a sua vida depois dessa sobrevida que ganhou. Na mesma noite em que visitou o penhasco, MacWhirter viu uma sombra descendo pela janela lateral da mansão por uma corda. Depois de saber do assassinato, juntou as peças e conseguiu chegar à tempo para uma injustiça não ocorresse.

Mas como nem sempre as evidências estão erradas, toda a organização assassina bem como os motivos do assassino são descobertos por Battle. Final surpreendente! No estilo Agatha Christie.

Quando os senhores leem o relato de um assassinato, ou mesmo um romance baseado num assassinato, normalmente ele começam com o próprio crime. No entanto, está tudo errado. O crime começa muito antes. Ele é o ponto culminante de várias circunstâncias diferentes, todas convergindo para um determinado momento e para um determinado local. O assassinato é o final da história, é a Hora Zero.

Na imagem destacada o quadro The Cliff at Dieppe, do pintor Claude Monet , de 1882.

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Até a próxima!

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