Quero Matar Hitler #68

P_20181128_113324_HDR_1.jpgAutor: Roger Moorhouse
Editora: Ediouro
Ano: 2009
Páginas: 400

“A possibilidade do assassinato de Hitler tem fascinado e mobilizado historiadores e escritores de ficção da mesma maneira. É tentador especular não só o número de vidas que poderiam ter sido poupadas, o conflito que poderia ter sido evitado e o sofrimento que talvez pudesse ter sido economizado, mas também como a história da Europa, e especialmente a da Alemanha, teria se desenvolvido de forma diferente no século XX.”

Como é possível que Adolf Hitler tenha escapado de tantos atentados? Essa é a pergunta que fica ao final do livro. Um homem contra boa parte do mundo, com ideias e ideais tão destrutivos que ceifaram a vida de milhões de pessoas antes e durante a Segunda Guerra Mundial. O que chama a atenção é a quantidade de tentativas e planos que foram elaborados por praticamente todas as principais nações que lutavam contra a Alemanha, havia inclusive uma força de resistência alemã que planejava o assassinato. Mas todos se frustraram e o ditador sanguinário sobreviveu até os derradeiros suspiros de sua nação moribunda.

Esse livro conta um pouco das principais tentativas de assassinar Hitler. Traz a história, as motivações, a elaboração e a tentativa de homens e mulheres que tentaram pôr fim à guerra matando o seu principal fomentador.

As balas da polícia bavariana que haviam desbaratado suas forças em Munique também deram a ele a chance do primeiro encontro com a ‘providência divina’.

Ainda em Munique, recém integrado ao Partido Nazista, o jovem Adolf Hitler já sofreria o seu primeiro atentado. Com a tentativa de dar um golpe, em 1923, Hitler se viu na linha de frente de um grupo que sofreu uma saraivada de tiros das forças de segurança da Bavária. E esse é o primeiro de muitos que ainda viriam.

Já com a Guerra em curso, apesar de todo o aparato de segurança que o rodeava, é digno de nota a tentativa de Georg Elser. Desiludido com o andamento da Guerra e a possibilidade de ser enviado para o front, Elser elabora um plano: durante a comemoração do Putsch de Munique em 1939, Hitler faria um discurso, ele plantaria uma bomba atrás do púlpito e o mataria durante sua fala. Elser se preparou nos mínimos detalhes: construiu a bomba do zero, inclusive com um temporizador para que pudesse fugir; se escondeu todas as noites na cervejaria onde ocorreria o discurso durante um mês para cavar um buraco na coluna que ficava atrás do palco; e ajustou a bomba para explodir no exato momento do discurso de Hitler, mas Hitler fez um discurso de apenas 9 minutos e retornou para Berlim por conta da invasão da Polônia. Se salvou por algumas horas.

De fato, apesar de toda a atenção com os detalhes da segurança, Hitler estava fundamentalmente convencido de que sua guarda pessoal nunca serviria a um propósito prático. Sua crença em ‘destino’ o levava a atribuir sua sobrevivência ‘não à polícia, mas ao acaso’.

Além disso, em qualquer lugar onde as bombas alemãs caíssem, um grupo de resistência organizava uma tentativa para matar Hitler. Assim foi na Polônia, onde um grupo paramilitar bem organizado conseguiu matar inúmeros oficiais da Wehrmacht e da SS; assim como na União Soviética e na França. A tática inglesa de assassinar Hitler estava baseada na ajuda às resistências europeias, principalmente francesa e belga, através de seus agentes infiltrados.

Um capítulo a parte diz respeito a relação entre Hitler e Stálin. Quando da invasão da União Soviética, Stálin alçou Hitler a seu inimigo número 1, contudo, com o avanço da guerra e a defesa de Moscou e Stalingrado, e o início da ofensiva soviética, Stálin simplesmente fez vista grossa para os planos de matar Hitler. Em sua ótica, com as vitórias do exército soviético, matar Hitler o tornaria um mártir, além de impedir o avanço desejado de Stálin até a Alemanha.

Seu regime de segurança tinha sido formidável, mas não fora infalível. Sua sobrevivência não era resultado, como ele acreditava, da intervenção da providência divina; em vez disso, ela se devia à falta de sorte dos inimigos ou mesmo à sua diabólica sorte.

Mas o capítulo especial do livro é sobre a tentativa de assassinato mais famosa e a que mais chegou perto do sucesso. O autor conta a vida do capitão Stauffenberg, desde o seu ingresso nas Forças Armadas até a sua desilusão com o regime nazista e seu maior chefe. Toda a trama para colocar uma bomba na sala de mapas no quartel general de Hitler passou por muitas fases. A primeira delas era escolher o assassino, papel pelo qual Stauffenberg estava pronto depois de seu grave acidente e de sua posição como ajudante de ordens que sempre participava de conferências com o Führer. O segundo momento era o pós-atentado, pois um novo governo deveria ser erguido e os velhos políticos mortos. Diversos oficiais do alto escalão se comprometeram com o assassinato, mas algo não saiu como planejado.

Tudo transcorreu conforme planejado, mas ao ser apressado Stauffenberg, que possuía apenas 2 dedos de uma mão, não conseguiu montar as 2 bombas que carregava. Com apenas 1 bomba em sua pasta, Stauffenberg entrou na sala e posicionou sua pasta aos pés da grande mesa de mapas. Mas os grossos pés de carvalho serviram como um escudo, e Hitler sobreviveu.

Hitler julgava que a providência divina estava ao seu lado, mas a verdade é que ele teve muita sorte aliada à incompetência de seus assassinos. Com um pouco mais de profissionalismo e talvez hoje não tivéssemos tantas imagens e vídeos cruéis para nos lembrar das maldades nazistas.

Indico o filme: Operação Valquíria, já resenhado aqui no blog.

Na imagem destacada o quadro The Murder of Caesar, de Carl Theodor von Piloty – 1865.

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Até a próxima!

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