O Intérprete Grego #23

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Editora: Zahar
Ano: 2014
Páginas: 17

“Durante o meu longo e íntimo relacionamento com Mr. Sherlock Holmes eu nunca o ouvira fazer menção a seus parentes e quase nunca a sua infância. Essa reticência de sua parte fazia-me vê-lo ainda mais como uma criatura um tanto desumana, até que passei a encará-lo como um fenômeno isolado, um cérebro sem coração, tão deficiente em comiseração humana quanto bem-dotado de inteligência. Sua aversão às mulheres e indisposição para fazer novas amizades eram ambas típicas de seu temperamento fleumático, mas a completa omissão de qualquer referência à sua própria família era um sinal igualmente revelador. Eu me convencera de que ele era órfão, sem parentes vivos; mas um dia, para minha enorme surpresa, ele começou a me falar sobre o irmão.”

Esse é o conto da primeira aparição de Mycroft Holmes, o irmão de Sherlock, que segundo as palavras do próprio Holmes, era mais inteligente do que ele, porém, menos afeito à ação, e por isso, colocava sua inteligência ao serviço de sua Majestade, contribuindo de seu confortável escritório, para o bem estar da Inglaterra. E ao falar sobre o irmão, Sherlock leva Watson para conhecê-lo em um clube para os altos dignatários do país. Aproveitando a visita, Mycroft lança um novo caso para o irmão, e solicita a sua ajuda. Trata-se do caso de um intérprete grego.

Era mortalmente pálido e muito emaciado, e tinha os olhos saltados e brilhantes de um homem cujo espírito era maior do que suas forças. Mas o que me chocou, mais do que qualquer sinal de fraqueza física, foi que ele tinha uma grotesca cruz de esparadrapo sobre o rosto, com uma tira larga tapando-lhe a boca.

Sr. Melas era um intérprete grego que há muito anos prestava serviços de tradução para o governo inglês. Contudo, esse caso começa quando ele é chamado por Harold Latimer para um serviço incomum, do qual ele não poderia dizer nada para ninguém. Logo foi levado para uma casa afastada e posto de frente para um homem que visivelmente estava sendo feito de prisioneiro. Esse homem era o Sr. Kratides. Melas tentou tirar algumas informações de Kratides, mas não conseguiu. Ao invés disso, colocou sua vida em risco ao pedir ajuda para Holmes e Watson.

Mr. Melas, no entanto, ainda vivia, e em menos de uma hora, com auxílio de amoníaco e conhaque, tive a satisfação de vê-lo abrir os olhos e saber que minha mão o trouxera de volta daquele vale escuro em que todos os caminhos se encontram.

Ao seguir as pistas fornecidas, Holmes e Watson voltam à casa de Melas, mas descobrem que alguém tentou matá-lo, juntamente com Kratides. Infelizmente Kratides morreu, mas Watson conseguiu salvar o intérprete. Latimer e seu comparsa estavam sequestrando Kratides e sua irmã, Sophy, para roubar toda a fortuna dos dois. Os ladrões conseguiram fugir com Sophy, mas meses depois souberam da notícia que dois ingleses haviam morrido na Hungria de causas misteriosas, que Holmes logo atribuiu à Sophy Kratides.

Na imagem destacada o quadro Greek maiden, de Henry William Pickersgill – 1829.

Esse conto faz parte da coletânea As Memórias de Sherlock Holmes, que você pode adquirir na Amazon.

Até a próxima!

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