O Problema Final #24

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Editora: Zahar
Ano: 2014
Páginas: 17

“Ele é o Napoleão do crime, Watson. É o organizador de metade do que se faz de errado e de quase tudo que passa despercebido nesta grande cidade. É um gênio, um pensador abstrato. Tem um cérebro de primeira ordem. Permanece estático, como uma aranha no centro de sua rede, mas essa rede tem mil radiações, e ele conhece cada palpitação de cada uma delas. Ele mesmo não faz muita coisa. Apenas planeja. Mas seus agente são numerosos e esplendidamente organizados.”

Depois de inúmeros casos, Conan Doyle se viu na difícil missão de matar Sherlock, pois o personagem ficou maior que seu criador, e como Conan Doyle tinha a intenção de escrever sobre outras coisas, não viu outra alternativa senão criar o pior vilão do detetive, mesmo que ele nunca tivesse aparecido antes, e dotá-lo de uma capacidade de inteligência tão grande quanto Sherlock Holmes e colocá-los frente a frente em um combate suicida.

Ao falar sobre o Prof. Moriarty a Watson, Holmes é só elogios. Elogia sua inteligência, sua organização e seu sucesso. Diz que está seguindo uma pista há vários meses e que agora falta pouco para prender não apenas Moriarty, mas todos os seus ajudantes. Mas a missão é muito arriscada e ele precisa criar uma isca para Moriarty fora de Londres.

-Então não soube do que houve na Baker Street?
– Baker Street?
– Puseram fogo no nosso apartamento a noite passada. Não houve grandes prejuízos.

É uma verdadeira perseguição de gato e rato. Mas dessa vez quem foge são Holmes e Watson, pois Moriarty não poupa esforços para tentar acabar com a dupla durante o caminho de Londres até a famosa queda d’água de Reichenbach: uma catarata no território suíço. Após um breve passeio Holmes e Watson decidem visitar a catarata, quando alguém do hotel chama por um médico, pois uma hóspede está à beira da morte. Mas esse era mais um embuste de Moriarty para que finalmente duelasse com Sherlock Holmes.

Parece-me, Watson, que posso mesmo dizer que não vivi inteiramente em vão. Se minha folha de serviço fosse encerrada esta noite, eu ainda poderia examiná-la com equanimidade. O ar de Londres ficou mais puro graças à minha presença. Em mais de mil casos tenho consciência de que jamais usei meus talentos do lado errado. Ultimamente venho me sentindo tentado a considerar os problemas fornecidos pela natureza, em vez daqueles mais superficiais pelos quais nossa sociedade artificial é responsável. Suas memórias serão concluídas, Watson, no dia em que eu coroar minha carreira com a captura ou a eliminação do mais perigoso e capaz criminoso da Europa.

Quando Watson retorna à catarata, descobre que apenas o bastão de Holmes se encontra à beira. Apesar dos gritos e da procura, descobre que Holmes jaz no fundo de Reichenbach juntamente com Moriarty. Esse é o final da carreira de Holmes, e um possível recomeço para a carreira de Conan Doyle.

Mas será que o público de Conan Doyle ficará impassível com a morte de Sherlock? Seria mesmo o fim da carreira do grande detetive?

Na imagem destacada o quadro Fall of the Reichenbach in the Valley of Oberhasli, Switzerland, de Joseph Mallord William Turner – 1804.

Esse conto faz parte da coletânea As Memórias de Sherlock Holmes, que você pode adquirir na Amazon.

Até a próxima!

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