Alice no País das Maravilhas #71

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Autor: Lewis Carroll
Editora: Martin Claret
Ano: 2014
Páginas: 110

Tem muita coisa que você ainda não sabe – observou a Duquesa – E isso é um fato!

Como um livro pode ter tantos significados? O que parece ser apenas uma aventura para crianças torna-se um denso livro filosófico sobre a vida e sobre as transformações que a vida impõe ao ser humano. E através do tempo, esse livro foi ganhando contornos cada vez mais densos e o seu significado foi cada vez mais entrando no buraco do coelho.

A história da escrita do livro também diz muito: a 4 julho de 1862, durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa, Charles Lutwidge Dodgson (Lewis Carroll), na companhia do seu amigo Robinson Duckworth, conta uma história de improviso para entreter as três irmãs Liddell (Loriny Charlotte, Edith Mary e Alice Pleasance). Eram filhas de Henry George Liddell, o vice-chanceler da Universidade de Oxford e decano da Christ Church, bem como diretor da escola de Westminster. A maior parte das aventuras foram baseadas e influenciadas em pessoas, situações e edifícios de Oxford e da Christ Church.

“Tudo está tão esquisito hoje! E ainda ontem as coisas estavam tão normais … Será que durante a noite eu virei outra pessoa? Deixe-me pensar: hoje de manhã, quando acordei, eu era a mesma pessoa? Tenho uma vaga lembrança de ter me sentido um pouquinho diferente. Mas se eu não for eu mesma, a próxima pergunta é: Quem eu sou? Essa é que é a questão!”

O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai numa toca de coelho que a transporta para um lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas, revelando uma lógica do absurdo, característica dos sonhos. Ela encolhe e estica, conversa com seres estranhos e criaturas impensáveis. E se questiona o tempo todo.

“- Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora?
– Isso depende muito de onde quer ir – respondeu o gato.
– Para mim, acho que tanto faz… – disse a menina.
– Nesse caso, qualquer caminho serve – afirmou o gato.”

Mas apesar do livro ser muito bem falado e conter muitas interpretações, não me cativou. Para mim uma história fantástica, cheia de imaginações e possibilidades de pensamento e reflexão, mas apenas um conto de fadas. Que serve para o seu propósito inicial: pensado e contado como se fosse uma história feita para entreter crianças durante um passeio no rio. Não à toa minha filha simplesmente adorou a história, pois o livro a levou para um lugar que ela nunca tinha imaginado e a fez participar de eventos dos quais ela nunca sonhou em participar. Mas, como bem fala a Duquesa:

“Ora, criança, tudo tem uma moral, é só a gente descobrir.”

Indico o filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, de 2010. Apesar de ser uma adaptação, a direção de arte conseguiu transportar um pouco do impensável do livro para as telas e o resultado ficou muito bom.

Na imagem destacada The White Rabbit, de John Roddam Spencer-Stanhope.

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Até a próxima!

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4 comentários

  1. Na minha primeira leitura confesso que gostei de alguns capítulos e nem tanto de outros. Depois com o projeto e a busca por mais informações sobre o autor e o contexto histórico, que alguns fatos obscuros e estranhos ganharam sentido, até a noção do “nonsense” e de como Carroll construiu a narrativa também acabou tornando- se mais interessante. Essa segunda leitura mais atenta foi com certeza o ponto mais importante que me cativou na leitura. Um personagem que me instigou também foi o Chapeleiro Maluco e a questão do tempo. O que achas desse personagem?

    Agnes

    Curtido por 1 pessoa

    1. Concordo que buscar informações além do livro pode ajudar a perceber algumas nuances que uma primeira leitura não mostra. Entender o contexto de sua escrita, por exemplo, realmente nos diz muita coisa.
      De qualquer forma, nem foi tanto por não ‘entender’ algumas partes que o livro não me cativou. Foi uma espécie de super valorização em torno do livro que deixou a minha expectativa muito alta.
      E sim, também acho o Chapeleiro Maluco um personagem peculiar. O tempo como um ‘alguém’, com quem você pode conversar e controlar, foi um diálogo realmente repleto de reflexão. Esse é o ponto alto do livro, na minha opinião: as reflexões que surgem dos questionamentos de Alice e dos personagens.
      Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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