Encontro com Rama #74

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Autor: Arthur Clarke
Editora: Aleph
Ano: 2015
Páginas: 281

“Seu corpo era um cilindro de tal perfeição geométrica que era como se tivesse sido trabalhado num torno – um cilindro com os centros das bases separados por uma distância de cinquenta quilômetros. As duas extremidades eram perfeitamente planas, com exceção de algumas pequenas estruturas no centro de uma das faces, e mediam vinte quilômetros de diâmetro. De longe e na ausência de noção de escala, Rama tinha uma parecença quase cômica com um boiler doméstico ordinário.”

Arthur Clarke é um dos autores mais famosos do gênero ficção científica. É autor de inúmeras obras de grande sucesso, como o conto “The Sentinel” que deu origem ao filme “2001: Uma Odisséia no Espaço“. Encontro com Rama foi originalmente publicado em 1972 e se tornou rapidamente um livro aclamado pelo público. Com essa obra, Arthur Clarke ganhou seu segundo Prêmio Hugo de Melhor Romance, em 1974.

No ano de 2127 o Sistema Solar já está colonizado pelo Homem, colônias altamente desenvolvidas em Marte, Mercúrio e nas luas de Júpiter e Saturno já estão consolidadas. A queda de um asteroide na Terra 50 anos antes obrigou os humanos a criar uma Guarda Espacial, sediada na Lua, para monitorar e salvaguardar o Sistema Solar de qualquer ameaça vinda de fora. Mas até aquele momento nenhuma forma de vida fora do nosso Sistema havia sido provada. Até que uma forma cilíndrica inesperadamente tomou lugar nos radares.

Agora, porém, tinham provas de que não só existia vida fora do sistema solar, mas essa vida havia escalado alturas muito além de tudo o que o homem alcançara ou podia esperar nos próximos séculos. Mais ainda: o descobrimento de Rama vinha pôr por terra outro dogma que o Professor Olaf havia pregado durante anos. Quando pressionado, admitia com relutância que a vida provavelmente existia em outros sistemas estelares – mas sempre sustentara que era absurdo acreditar que ela pudesse jamais atravessar os abismos do espaço interestelar.

Uma nave científica estacionada próxima à Marte é rapidamente designada para interceptar e fazer contato com o corpo que se aproximava. De tanto nomear asteroides e cometas com nomes de entidades e deuses gregos e romanos, a humanidade estava agora partindo para os nomes Hindus, e assim nomeou aquela forma de Rama. Parecido com um boiler doméstico gigantesco, Rama possuía uma velocidade constante e uma órbita que mostrava que seu destino era se chocar contra o Sol do Sistema Solar. E essa constância e direção assustou todo os planetas habitados do Sistema Solar.

O capitão da nave e sua equipe descobrem que Rama não é apenas um corpo celeste, mas algo forjado, construído. Seu sistema de eclusas e seu relevo surpreendem pela tecnologia e pela inteligência de sua complexidade. O interior não é menos surpreendente. O autor aqui nos dá páginas e mais páginas de descrições surreais de um mundo cilíndrico que gira a uma velocidade incrível, e é exatamente essa velocidade que faz com que tudo fique em seu lugar. A tripulação descobre que no centro de Rama o ar é respirável, existe água congelada e várias construções que lembram enormes cidades, aumentando não apenas a fascinação da humanidade, mas também o medo de um ataque por criaturas tão inteligentes.

Considere a situação. Temos aí um mundo completamente vazio e sem vida; e, contudo, é apropriado aos seres humanos. Possui água e uma atmosfera que nós podemos respirar. Vem das remotas profundezas do espaço, visando com precisão ao sistema solar – uma coisa completamente incrível, se fosse obra do puro acaso. E não só parece novo, mas tem o ar de nunca ter sido usado.

No livro, as ações da tripulação no interior de Rama são descritas de uma forma que basta um pouco de imaginação para ter certeza de que o autor criou um mundo complexo e maravilhoso. Com a proximidade do Sol, Rama se aquece e criaturas metade robóticas metade orgânicas surgem das cidades Ramaianas. Sua função: desmontar tudo o que estava fora do lugar e jogar no que foi chamado de oceano cilíndrico. Nenhuma forma de vida totalmente orgânica realmente apareceu e ao diminuir sua velocidade próximo a Mercúrio a nave teve que se retirar e contemplar Rama se aproximando do Sol.

Mas os Homens não se contentaram em apenas contemplar Rama, apontaram seus mísseis de segurança para o novo Planeta e por pouco não o atacaram. Diversas teorias surgiram nas convenções da Guarda Espacial, teorias políticas, bélicas e religiosas. Todas davam conta dos porquês da existência de Rama e seu real objetivo, todas as possibilidades apontavam para a tentativa de contato de outras formas de vida com o Sistema Solar. Seriam alienígenas tentando contato com a raça humana? Seria um ataque? Seria o apocalipse, tão aguardado pelos religiosos? Não era nada disso!

Tinham usado o sistema solar como um posto de reabastecimento, uma estação de reforço – podiam chamá-lo como quisessem – e depois o desprezaram completamente, a caminho de coisas mais importantes.

Como sempre, o Homem se achou o ser mais inteligente e desenvolvido do Universo. Rama apenas utilizou o Sol do Sistema Solar como um posto de combustível. Usou a energia do Sol para recarregar o que o fazia navegar pelo espaço e continuou sua longa jornada em direção à algum lugar inóspito ou altamente desenvolvido, mas que igualmente estava além da capacidade humana de imaginar. O Homem é apenas poeira cósmica, e sua importância não passa de nada. Que bela mensagem esse livro passa!!

Na imagem destacada, o quadro Study for Allegory of the Planets and Continents, de Giovanni Battista Tiepolo – 1752.

Indico o filme Interestelar, de 2017. Aliás, um filme incrível que eu recomendo muito.

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Até a próxima!!

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3 comentários

    1. Eu também o vi mais de uma vez. Me marcou muito.
      Segundo consta, além de 2001: uma odisséia no espaço, houve também a adaptação de sua obra para 2010: O ano em que faremos contato dirigido por Peter Hyams (1984). Mas desse eu nunca tinha ouvido falar.

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