E Não Sobrou Nenhum #7

p_20190414_093325_1-368384686.jpgAutor: Agatha Christie
Editora: Globo
Páginas: 349
Ano: 2015

Essa história toda é fantástica … impossível! Dez pessoas assassinadas numa ilha que é um mero rochedo sem graça, e nós não sabemos por quem nem como.

Mais uma história fantástica de Agatha Christie. O cenário é propício para que algo de ruim aconteça: uma ilha afastada do litoral, com apenas uma bela mansão a habitá-la. Os seus hóspedes não levantam a menor suspeita: dez pessoas que não se conhecem e que acreditam seriamente que foram convidados por um milionário para passar alguns dias nessa ilha. Mas logo eles percebem que nem tudo é o que parece.

“Havia qualquer coisa de mágico numa ilha – a simples palavra sugeria fantasia. Perdia-se o contato com o mundo – uma ilha era um mundo próprio, um mundo à parte. Um mundo, talvez, do qual nunca poderemos regressar.”

Um mordomo e sua esposa cozinheira; uma jovem; um jovem rico; uma senhora respeitável; um ex-detetive; um general do exército; um médico; um juiz; e um homem de negócios. Essas são as dez pessoas que aportam na Ilha do Soldado. Rapidamente algo chama a atenção do grupo: todos eles receberam um convite para estar naquela ilha, mas nem todos os convites foram enviados pela mesma pessoa. À noite, os dez habitantes descobrem o real motivo de sua estada: todos eles possuem em seus passados, o que se chama de crime perfeito. Todos ele cometeram ou facilitaram um crime, que por falta de provas teve que ser arquivado, deixando seus culpados livres, e em alguns casos, ricos.

O suspense tem início, e a simples menção aos crimes deixa o grupo desconfortável. Mas o que assusta mesmo o grupo é que o rico jovem, que atropelou e matou um casal de irmãos no passado, morre envenenado. Entre conjecturas e suposições, o juiz logo toma as rédeas da situação e tenta mostrar a todos que todos ali poderia ter matado o jovem rapaz, e que a culpa, por enquanto, recai sobre todos.

“Nenhum de nós vai sair desta ilha. Esse é o plano. A senhorita sabe perfeitamente disso, é claro. O que talvez não possa compreender é o sentimento de alívio.”

A jovem, de nome Vera, é a primeira a reparar que em todos os quartos há um quadro com um poema sobre dez soldadinhos. Conforme as mortes vão acontecendo, ela lembra a todos que essas mortes seguem o poema e que o assassino é um louco sanguinário. E as mortes vão acontecendo das mais variadas formas, todas seguindo o singelo poema:

“Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.
Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.
Oito soldadinhos vão a Devon passear e comprar chiclete;
Um não quis mais voltar, e então sobraram sete.
Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.
Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com afinco;
A abelha pica um, e então sobraram cinco.
Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;
Um ficou em apuros, e então sobraram quatro.
Quatro soldadinhos vão ao mar, um não teve vez;
Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.
Três soldadinhos passeando no zoo, vendo leões e bois;
O urso abraçou um, e então sobraram dois.
Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então sobrou só um.
Um soldadinho ficou sozinho, só resta um;
Ele se enforcou.
E não sobrou nenhum.”

E assim, Agatha Christie nos leva por mais de 300 páginas, nos deixando instigados com o desfecho. Colocando o leitor na posição de um detetive, tentando descobrir quem é o assassino, para páginas depois assassinar o principal suspeito. E o livro vai acabando e o grupo de dez pessoas agora já não passa de uma dupla, mas nada leva ao assassino. Então, a última pessoa que fica, depois de tanta loucura e derramamento de sangue, inevitavelmente segue o poema e se enforca.

A polícia começa as investigações, mas não chega a lugar nenhum. Dez pessoas foram assassinadas em uma ilha e não há suspeitos. É um crime perfeito. Até que uma mensagem em uma garrafa é entregue à delegacia.

O assassino e seus motivos?
Só mesmo lendo o livro…

Na imagem destacada o quadro Misty Island, de Darko Topalski.

Indico o filme Festim Diabólico, de Alfred  Hitchcock.

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Até a próxima!

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