O Morcego #79

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Autor: Jo Nesbo
Editora: Record
Ano: 2016
Páginas: 346

“Harry se sentou num sobressalto. O mesmo sonho outra vez. Ainda eram quatro da manhã. Ele tentou voltar a dormir, mas sua mente se concentrou no assassino desconhecido de Inger Holter.”

Jo Nesbo é um músico e economista, além de autor, norueguês. Esse livro é o primeiro thriller policial estrelado pelo detetive Harry Hole. O Morcego conquistou o Prêmio Glass Key como o melhor romance nórdico e o Riverton Prize como o melhor thriller norueguês. Esse é o primeiro livro do autor que leio e gostei bastante de sua forma de escrever. Ele consegue deixar o leitor atento o livro inteiro e vai desvendando o crime aos poucos, como se montasse um quebra cabeça enorme. Coloca pequenos plot twists ao longo da história e sem que com isso o leitor fique às cegas. O final é coerente com toda a história e você se sente respeitado como leitor, já que nada é colocado de forma gratuita.

“O rosto da jovem havia sobrevivido relativamente bem à queda. De um lado, a narina tinha sido rasgado, e a maçã do rosto havia levado uma pancada que a deixara funda, mas não reatava dúvida de que o rosto pálido pertencia à mesma garota com o sorriso radiante na foto do relatório policial.”

Harry Hole é um detetive norueguês que é enviado para a Austrália para investigar a morte da norueguesa Inger Holter, morta de forma brutal no litoral de Sidney. A sua missão era encontrar o assassino, mas mais ainda, era encontrar uma resposta para levar à família de Inger. Mas Harry logo descobre que sua estadia na Austrália não seria fácil. Ele foi informado que a polícia de Sidney já estava investigando o caso, mas que ele ficaria informado de todos os passos. Além disso, o policial Andrew seria o seu parceiro durante sua estadia. Andrew é um descendente dos aborígenes, nativos que já estavam na Austrália séculos antes da chegada dos primeiros ingleses.

Andrew então se torna uma espécie de guia turístico de Harry. Além de mostrar os cantos mais obscuros da cidade, conta uma série de histórias e fábulas aborígenes sobre a criação e ordenação do mundo e sobre a morte. Harry é apresentado aos mais variados tipos de pessoas, desde lutadores de box itinerantes até artistas homossexuais de um circo. Mas ao contrário do que pode parecer, esses são os elos que fazem a ligação entre Inger Holter e seu assassino.

“Cada vez que você desvenda um assassinato, fica um pouco mais abatido. Infelizmente, em geral, esses casos envolvem mais pessoas problemáticas e histórias tristes do que motivações mirabolantes saídas de um livro da Agatha Christie. A princípio, eu me via como um paladino da justiça, mas, às vezes, me sinto mais como um lixeiro.”

Harry então conhece uma garçonete sueca chamada Birgitta, por quem passa a nutrir uma afeição especial. Mas a investigação continua e Harry passa então a se envolver com traficantes poderosos atrás de respostas. As respostas começam a aparecer e Harry passa a temer que esteja lidando não apenas com um assassinato isolado, mas um serial killer que estrangula mulheres loiras, solteiras, após estuprá-las. Seus suspeitos são riscados da lista, mas Andrew conta mais uma de suas fábulas aborígenes, onde conta que o morcego é o símbolo da morte. Harry está com o assassino diante de si, mas não consegue enxergá-lo pois está olhando para o lado errado.

“Na ficção policial tradicional, qualquer detetive que se preze tem um faro infalível para descobrir quem está mentindo. Conversa fiada! A natureza humana é uma floresta impenetrável, que ninguém é capaz de conhecer em sua totalidade. Nem mesmo uma mãe conhece os segredos mais íntimos do filho.”

E quando os fatos se sucedem de forma caótica, Harry precisa encarar novamente um fantasma do passado que resolve assombrá-lo: o alcoolismo. Harry sucumbe ante ao seu maior rival, vê Birgitta se afastar, e enterra seu amigo Andrew.

O final é o momento onde o leitor prende a respiração e não larga o livro. Harry consegue descobrir a identidade do assassino, parte em uma perseguição louca, mas coloca em risco algo de muito valor para ele. E quando menos espera ele descobre que escolhas erradas nem sempre tem um ponto de retorno.

Na imagem destacada o quadro The Bat, de Ferdinand de Braekeleer – 1860.

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Até a próxima!

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