A Revolução dos Bichos #3

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Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2007
Páginas: 147

“Todos os bichos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.”

Um livro clássico que cada vez mais faz sentido no mundo atual. Esse é A Revolução dos Bichos. Escrito em 1943, essa obra guarda importantes acontecimentos da humanidade em sua elaboração. Em primeiro lugar, Orwell (que se chamava Eric Arthur Blair) em 1937 decide lutar pelo governo espanhol durante a Guera Civil Espanhola ao lado de sua esposa. Eles se alistam nas fileiras do POUM – milícia formada por trotskistas espanhóis. E esse ponto é importante porque após assumir o controle parcial do governo, os comunistas empreenderam uma caçada contra os trotskistas, apesar de ambos lutarem lado a lado nos combates anteriores e ainda mais por defenderam a mesma bandeira: o socialismo.

Esse acontecimento mudou a mente de Orwell sobre o verdadeiro socialismo, muito diferente do que estava sendo idealizado no ocidente, principalmente na Europa ocidental. Orwell decidiu então escrever para mostrar ao mundo o que era o mito soviético. Mas a forma como iria contar essa história ainda estava nebulosa até ver uma cena bem típica da área rural inglesa: um garoto chicoteava um cavalo toda vez que ele saía do caminho. Orwell então pensou que se o cavalo soubesse o valor da sua força de trabalho e do quanto aquele garoto dependia dele, talvez essa consciência pudesse mudar as posições naquela relação. Orwell decidiu contar a verdade sobre o mito soviético através de uma singela história de uma revolução acontecida em uma granja.

“A verdadeira felicidade estava em trabalhar bastante e viver frugalmente. D certa maneira, era como se a granja tivesse ficado rica sem que nenhum animal houvesse enriquecido – exceto, é claro, os porcos e os cachorros.”

O cenário é uma granja, chamada Granja do Solar, onde animais trabalhavam como em todas as granjas e fazendas. Porém tudo começa a mudar quando um velho porco de nome Major tem um sonho onde haveria uma revolução e os animais não mais precisariam dos humanos. Os anos passam e diante da carestia e do aumento dos trabalhos, os animais, liderados pela inteligência do porco Bola-de-Neve, pela força do porco Napoleão e pelo entusiasmo do porco Garganta, empreendem a esperada revolução e expulsam o dono da granja. A granja passa a se chamar Granja dos Bichos. É criado o sistema chamado pelos animais de Animalismo, onde aos animais caberia trabalhar em prol da granja e viver em eterna harmonia. Criaram além de bandeira, hino e sete mandamentos que resumiam os princípios do Animalismo.

Os animais passam a viver dedicados ao trabalho e ao bem estar de todos. Bola-de-Neve idealiza a construção de um moinho para suprir as demandas de alimentos da granja e tudo parece caminhar para a felicidade dos animais quando um incidente ocorre. Napoleão aplica um ‘golpe’, toma o poder e expulsa Bola-de-Neve, que é considerado um traidor da revolução. Aliado ao sagaz Garganta, Napoleão lentamente muda as diretrizes básicas do Animalismo e aproveita a ignorância dos outros animais para justificar mudanças que eram boas apenas para os porcos.

“Vocês estão certos de que não sonharam? Existe algum registro dessa revolução? Está escrita em algum lugar?”

Com os mandamentos modificados, os porcos liderados por Napoleão passam a morar na casa do antigo dono da granja. Os trabalhos são divididos apenas entre os outros animais, mas tudo o que é colhido passa primeiro para os porcos que racionam os alimentos para os animais da granja. Além disso, Napoleão passa a fazer contato com os dois vizinhos da granja. As colheitas começam a ser vendidas e o dinheiro é usado para o conforto dos porcos, como por exemplo, fazer uma plantação de cevada para a produção de cerveja para os porcos.

Os anos passam e a revolução já não passa de uma história contada pelos antigos. Agora, além de morarem na casa da granja, os porcos fazem comércio com os outros produtores e andam apenas em duas patas, como os humanos.

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”

George Orwell conta essa história de forma prazerosa e envolvente. É um livro que admite pelo menos duas interpretações: pode ser lido como uma fábula, uma história de animais que se revoltam e passam a comandar a granja onde vivem sob a liderança dos porcos; mas, para aqueles que conhecem um pouco do contexto do socialismo soviético, é impossível dissociar a imagem do porco Napoleão de Stálin, ou do porco Bola-de-neve de Trostky, além de vislumbrar em todos os acontecimentos da granja algumas características do socialismo.

A principal crítica de Orwell é que por mais bonito que seja, qualquer tipo de sistema político-social esbarra nas pretensões dos homens que o fazem. A ganância e o poder sobrepujam qualquer sistema que pretende transformar a sociedade em um lugar mais justo e igualitário. Para que alguns possam usufruir do que a vida tem de melhor, a maioria precisa trabalhar duro e abdicar de sua liberdade.

Na imagem destacada o quadro Animals and farmyard, de John Frederick Herring.

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Até a próxima!

 

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