Um Passo Atrás #85

p_20191114_073225_1568125136.jpgAutor: Henning Mankell
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016
Páginas: 504

“Nós nos perguntamos em que tipo de mundo vivemos, mas é doloroso demais encarar a verdade. É provável que o nosso maior receio já tenha acontecido: talvez o sistema de justiça já tenha entrado em colapso. Mais e mais pessoas se sentem ignoradas e descartáveis, e isso alimenta a escala de violência sem sentido que estamos presenciando. A violência se tornou parte da vida cotidiana. Reclamamos do que está se passando, mas às vezes acho que as coisas estão piores do que queremos admitir.”

Henning Mankell é um escritor sueco considerado um dos grandes autores policiais. Além de escritor, atuou também como diretor de teatro e publicou 40 livros traduzidos para 40 idiomas. Um de seus personagens mais famosos é o detetive sueco Kurt Wallander, protagonista do livro.

Noite do solstício de verão na Suécia e um grupo de três jovens parte para uma reserva ecológica para comemorar esse dia tão especial nos países nórdicos. Mas além de comidas e bebidas, esse jovens mantém uma tradição: eles se fantasiam com roupas de épocas antigas e brindam a noite do solstício bebendo e ouvindo músicas antigas. Mas dessa vez algo está diferente: um serial killer está à espreita, escondido entre as árvores, esperando o momento certo para atacar.

“Ninguém disse nada. O silêncio confirmou a impressão de Wallander: não havia nenhuma lógica evidente naquele caso, nem uma forma simples de classificá-lo como um assalto, crime passional ou qualquer outra coisa.”

Os três jovens são brutalmente assassinados, mas seus corpos são enterrados. O assassino rouba os passaportes e envia cartões-postais de diferentes países da Europa para as famílias das vítimas, despistando o real paradeiro dos jovens. Logo após um policial ser morto dentro de seu apartamento com um tiro de espingarda na cabeça, os corpos dos três jovens são descobertos, e a polícia tenta encontrar alguma razão para essas mortes.

O detetive Kurt Wallander é colocado à frente da investigação e começa uma verdadeira caçada psicológica atrás do assassino. Tentando encontrar pistas ocultas no apartamento de seu amigo policial, Wallander descobre que ele estava investigando o sumiço dos jovens por conta própria. Apesar das mortes não apresentaram nenhuma ligação, Wallander descobre que elas estão intimamente ligadas. E mais do que isso: foram praticadas pela mesma pessoa.

“Mais uma vez, Wallander leu suas anotações sobre o desaparecimento dos três jovens. Analisou os três cartões-postais. Sentiu novamente a sensação de que estava deixando escapar alguma coisa. Não conseguia adivinhar o que era. O que
ele não estava conseguindo ver?”

Wallander continua juntando pistas e cada vez mais se aproxima do assassino. Aliado a toda a tensão causada pela investigação, acompanhamos o declínio da saúde do detetive, que descobre que está com diabetes. A história permeia a investigação com momentos onde Wallander sofre com sua saúde, tornando o personagem mais humano. Todas as suas angústias e dúvidas trazem à história um tom de realidade. Wallander às vezes se mostra perdido, sem encontrar motivos para continuar a procurar pelo assassino.

Apesar de soar bem clichê, ao se aproximar da identificação do assassino Wallander descobre que ele é a próxima vítima. O embate final é cheio de tensão e suspense. O livro tem uma história muito bem escrita, que prende o leitor até a sua conclusão. Na minha opinião, ao mostrar os traços psicológicos de Wallander o autor consegue aproximar a história da realidade e a leitura se torna prazerosa.

“Ficou parado e respirou fundo algumas vezes. Ia ser um belo dia de final de verão. Só agora começava a tomar consciência da profunda tristeza que o consumia, que se originava tanto de sua genuína afeição quanto da lembrança de sua própria mortalidade. A morte passou perto dessa vez. Era diferente do que sentira quando seu pai morrera. Agora tinha medo.”

Na imagem destacada o quadro View from the North Coast of Sealand towards Kullen in Sweden: Summer Evening, de Peter Christian Skovgaard – 1860

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Até a próxima!

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