Os Trabalhos de Hércules #10

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Autora: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2014
Páginas: 282

“Era preciso que aparecessem, novamente, os Trabalhos de Hércules – de um Hércules moderno. Ideia engenhosa e divertida! No período anterior à sua aposentadoria final ele aceitaria doze casos, nem mais, nem menos. E esses doze casos seriam selecionados com vistas especiais aos doze trabalhos do Hércules da antiguidade. Sim, isso seria não só divertido como também artísticos … seria espiritual.”

Nesse livro, Hércules Poirot, o famoso detetive particular belga, em conversa com um de seus inúmeros amigos, decide se aposentar para se dedicar ao cultivo de abobrinhas. Mas antes, resolve escolher seus últimos casos.

E a ideia de Poirot é escolher seus 12 últimos casos baseados nos famosos 12 trabalhos de do herói grego Hércules. Cada trabalho do Hércules grego seria adaptado à modernidade por Poirot, de acordo com os casos que assim fossem aparecendo.

“Que tolos são os que abandonam o caminho certo. Uma consciência limpa – é tudo o que se precisa na vida. Com ela pode-se enfrentar o mundo e mandar qualquer um que queira interferir para o diabo!”

Então, somos levados a 12 pequenas histórias, cada uma com o nome de um dos trabalhos de Hércules. Nesses últimos casos, Poirot é chamado a resolver diversos problemas: roubos, assassinatos, envenenamentos, tráfico de drogas, golpes e muitos outros. Mas uma peculiaridade em cada um deles é a analogia muito bem feita à um dos trabalhos do herói grego.

Agatha Christie constrói de forma magistral, como não poderia deixar de ser, histórias onde a perspicácia e a inteligência de Poirot são postas à prova. Após lidar com o perigo e coletar provas e informações, Poirot consegue resolver os casos de forma que eles pareçam muito simples, mesmo que à princípio eles se mostrem extremamente complexos.

“É só usar palavras compridas, e trabalhar, e pensar no bem-estar do proletariado e no futuro do mundo. Muito meritório, sem dúvida, mas será que é alegre? E, olhe só, veja como estes jovens tornaram o mundo sem graça e incolor! Só se fala de regulamentos e proibições! Não era assim quando eu era jovem!”

Não vou detalhar cada um dos casos para o post não ficar longo, mas posso garantir que é uma leitura muito prazerosa. Como cada capítulo é um caso diferente, o livro acaba e você nem percebe. Vale mencionar a última história por dois fatores importantes:

Em primeiro lugar, mostra um antigo clichê das histórias de detetive. Poirot é chamado a resolver um problema de tráfico de drogas, mas se depara com a condessa Rossakoff, uma antiga criminosa que arrebatou o coração de Poirot. A clássica figura da criminosa que se torna a paixão proibida do detetive.

O segundo fator dessa história que chamou a minha atenção é mostrar essa ‘amante’ dos grandes detetives como uma figura que deturpa a mente e o discernimento dos detetives, como algo danoso à inteligência. Não só a figura da jovem mulher não estava nos papéis principais, vide histórias de Sherlock Holmes, Hércules Poirot e Jules Maigret, como estava em uma posição de antagonismo ao que de melhor havia nos grades detetives.

“É a desgraça dos homens pequenos e arrumados sonharem com mulheres enormes e espetaculares. Poirot jamais fora capaz de livrar-se do fatal fascínio que a condessa exercia sobre ele. Embora já se passassem cerca de vinte anos desde que a vira pela última vez, a mágica persistia.”

Na imagem destacada o quadro Hercules Bringing Alcestis Back from the Underworld, de Eugène Delacroix – 1862.

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Até a próxima!

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