Contos de Suspense e Terror #116

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Autor: Edgar Allan Poe – Editora: Martin Claret – Páginas: 217

“Você abre este livro e é arremessado de chofre em um universo surreal. Depara com uma série de mosaicos formados por mutáveis figuras etéreas que se movem à projeção de uma luz intermitente – ora escura, contínua e opressiva; ora explosiva, pulsante e quente.”

Edgar Allan Poe é considerado o precursor das histórias do gênero ficção policial. Contudo, Poe é realmente conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro. Esse livro é uma coletânea de alguns desses contos, onde encontramos não apenas histórias de terror, mas histórias que contam sobre os sentimentos mais profundos e macabros do ser humano.

No conto “O Coração Delator” acompanhamos um homem que não consegue suportar o olho cego do senhor de quem cuida. Quando a situação torna-se insustentável, ele não apenas mata, mas desmembra o senhor e o enterra sob as tábuas do quarto. Porém, o peso do assassinato se torna forte demais e assassino passa a ouvir os batimentos do coração do executado.

“Para a narrativa tão extravagante, porém tão despretenciosa, que estou prestes a escrever, não espero nem peço que deem crédito. Louco, na verdade, seria eu de esperar isso, num caso em que mesmo meus sentidos rejeitam sua própria evidência. Entretanto, louco não sou – e, com certeza, não estou sonhando. Mas amanhã morrerei e hoje preciso aliviar a alma.”

No clássico “O Gato Preto“, Poe traz um conto sobre a psicologia da culpa. Após se tornar uma pessoa má, sem motivo aparente, o personagem mata o seu gato de estimação. Com o peso da culpa, ele encontra outro, muito parecido com o primeiro e o leva para casa. Mas a maldade presente no personagem não o abandona e após matar a própria mulher, o gato preto se torna o seu delator. Não sem razão, o gato preto da história chama-se Pluto, em referência ao Deus grego do Inferno.

No “Barril de Amontillado“, história que se passa na Itália durante o carnaval de um ano não especificado, o personagem chamado Montresor é um homem imbuído do desejo de vingança em relação a um homem que ele julga tê-lo ofendido. Como muitas das histórias de Poe, e mantendo a fascinação do século XIX pelo tema, a narrativa fala sobre uma pessoa sendo enterrada viva – no caso, por emparedamento. 

“Quem, uma centena de vezes, não cometeu um ato vil e estúpido, simplesmente por saber que não deveria? Não temos nós uma inclinação perpétua, contrariamente ao nosso melhor julgamento, de violar aquilo que é a Lei, simplesmente porque entendemos que é assim?

Em “O Poço e o Pêndulo“,a história se passa na Espanha no contexto da Inquisição. Conta a história de um homem julgado e condenado por inquisidores que, após sentenciado, é atirado em um calabouço e submetido a intensa tortura; tanto física quanto emocional e psicológica. O terror psicológico é intenso e o leitor menos acostumado com a narrativa de Poe pode até se sentir incomodado.

No conto “William Wilson“, novamente Poe traz um estudo sobre o psicológico. O conto sonda os limites da alma perdida do Homem. A convite de Poe, entramos dentro da alma corrompida de um homem doente, e compartilhamos com ele de sua decadência e maldade.

“Venceste, e eu me rendo. Porém, de agora em diante, também estás morto – morto para o Mundo, para o Céu e para a Esperança! Em mim é que existias – e, na minha morte, vê por esta imagem, que é a tua própria, quão irremediavelmente assassinaste a ti mesmo.”

Além desses contos, o livro traz: “Metzengerstein“, “A Queda da Casa de Usher” e “O Enterro Prematuro“. Todos, também, excelentes.

Na imagem destacada o quadro O Coração Revelador, de Harry Clarke.

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Até a próxima!

 

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